Era um dia meio cinzento. O ônibus se encontrava relativamente vazio - quer dizer: com todos os lugares ocupados, mas sem gentes espremidas pelas portas traseira e dianteira. O coletivo subia um dos viadutos da Lagoinha com sentido ao Centro de Belo Horizonte. E, vocês sabem como a nossa engenharia é deveras inteligente, a Antônio Carlos hoje é duplicada, mas os viadutos são os mesmos da década de 1980 - com duas faixas, muretas baixas e vazadas e, para piorar, o viaduto faz uma curva que, dependendo da velocidade do motorista, dá uma vertigem e um medo de cair na Estação Lagoinha, metrô (metrô, não, trem elétrico) localizado logo abaixo.
Voltemos ao ônibus. O coletivo já subia o elevado quando o rapaz deu o sinal. Ele se sentava à janela, e o moço que estava no corredor fez uma gentil menção de se levantar. Foi aí que o diálogo começou.
- Quer levantar, moço?
- Não, não. Obrigado, vou esperar ele parar no ponto.
- Mas, moço, você puxou a cordinha. O senhor vai ter que levantar.
- Levantar? Mas meu ponto não chegou ainda.
- Mas por que, então, o senhor puxou a cordinha?
- Uai, já para avisar ao motorista que vou descer no próximo.
- Mas todo o mundo do ônibus vai descer no próximo ponto. É o Centro...
- Bom, eu puxei porque eu quis. Só isso.
- Tá, mas uma vez puxada a cordinha, o senhor tem que se levantar.
- Gente! Pra que isso? Eu sempre puxei a cordinha ou apertei o botão e fiquei sentado esperando o meu ponto chegar!
- Senhor, isso é errado!
- "Errado"? Como assim?
- É, senhor! O senhor não pode puxar a cordinha e ficar assentado.
- Onde que isso tá escrito? A BHTRANS resolveu cagar essa regra?
- Não, senhor, tá aqui.
- Aqui onde?
- Aqui, no Nosso Livro Sagrado.
- ???
- É, senhor. No Nosso Livro Sagrado, tem um mandamento que fala isso.
- Mandamento?
- É. Olha aqui. Décimo primeiro mandamento:...
- Mas, peraí, não eram dez mandamentos?
- Não, senhor. Sempre foram onze.
- Como assim? Sempre aprendi que eram dez mandamentos, como não matar, não roubar...
- Mas tem o décimo primeiro, senhor. Que é esse daqui.
- "Não puxeis a cordinha do ônibus e permaneceis sentado, sob pena de pecado"? Mas que p...
- Olha o palavreado, senhor. Estamos num coletivo...
- Mas que pitomba é essa?
- É um mandamento. Tá aqui, escrito.
- Não vá me dizer que sempre foi assim...
- É, senhor. Sempre foi. Está escrito, assim procedeis.
- Então quer dizer que no Velho Testamento existia ônibus?
- Isso eu não sei, senhor, mas está escrito.
- E só porque está escrito você segue à risca?
- Uai, senhor, o que está escrito deve ser seguido. Conforme o que está escrito.
- Mesmo para o meu caso? Poxa, eu toda a vida puxei a cordinha e fiquei sentado...
- Pois é, senhor. Arrependa-se então para merecer o perdão.
- Perdão?
- É, senhor. Se o senhor permanecer sentado, tendo puxado a cordinha, o senhor está em pecado.
- PECADO? Ah, fala sério...
- Estou falando, senhor. Não estou inventando. Apenas seguindo o que está escrito.
- "Apenas seguindo o que está escrito". Falou, papagaio-de-pirata!
- Senhor, essa expressão é inadequada para o que o senhor quer dizer de mim. Papagaio-de-pirata é aquela pessoa que aparece indevidamente numa foto. Acho que o senhor quer dizer que estou de trololó.
- Esperto até que você é, hein?
- Com a bênção do Nosso Livro Sagrado.
- Nosso, vírgula! SEU livro sagrado.
- Mas ele pode ser seu também, se o senhor quiser. Basta...
- Me arrepender e levantar depois de puxar a cordinha.
- Isso, senhor.
- Até que chegue no Centro, eu vou ardendo no inferno...
- Mas, senhor...
E a ladainha do moço com o Livro Sagrado na mão continuou até que o ônibus (finalmente) chegasse ao Centro.
Conto baseado em fatos irreais, mas de contexto surreal.
Sou quem toca, sou quem dança, quem na orquestra desafina. O par e o parceiro das verdades à desconfiança.
terça-feira, 4 de junho de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
Abre a porta, UFMG!
Saiu no Estado de Minas reportagem sobre uma situação peculiar na UFMG:
O acesso à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ficará mais rigoroso até o fim do ano. Pela primeira vez haverá controle, 24 horas por dia, das 22 mil entradas e saídas diárias de veículos do câmpus Pampulha. A previsão é de que em novembro esteja funcionando sistema por meio do qual o motorista será obrigado a se identificar na portaria para ter a entrada liberada. A medida faz parte do Plano Diretor de Segurança Universitária, em implantação há três anos, e coincide com o momento em que são estudadas providências para coibir episódios como o do fim de semana, quando bandidos entraram na Escola de Engenharia para arrombar um caixa eletrônico e fizeram reféns. Uma das atitudes possíveis é decretar o fim dos caixas eletrônicos instalados pelo câmpus.
(Alguém avisa ao pessoal do Estado de Minas que campus não se acentua?)
(UPDATE: me informaram que, ao que parece, há as duas formas. Mas é tão estranho isso...)
Há que se notar uma coisa nessa notícia. O assalto aconteceu em um fim de semana, quando o acesso ao campus Pampulha já é restrito. Depois do meio dia, é praticamente difícil você adentrar à universidade - somente o portão 1, o principal, na Av. Antônio Carlos, fica aberto; os demais, ficam fechados. Se o arrombamento foi no fim de semana, então foi num momento onde há uma restrição de acesso ao campus. Então, não entendo essa medida de catracar a entrada dos carros durante a semana.
A diretoria da Universidade observa que a solução para acabar com os arrombamentos aos caixas é tirar os caixas eletrônicos das faculdades. É matar o boi para se livrar dos carrapatos.
A UFMG vai dando cada vez mais passos rumo à segregação. Acontece um episódio de violência no campus, a medida é proibir a circulação. Nos fins de semana, em vez de promover a integração, abrindo o campus e realizando atividades diversas, fecha-se as portas e veta-se o acesso (está mais que explicado porque grande parte da população não sabe o que tem lá dentro; a própria UFMG se esconde).
Tá, mas então vamos falar de violência. Por outro lado, até hoje não tive notícias da comissão que está apurando o trote nazi-racista ocorrido no prédio do Direito, que é fora do campus. A agilidade é meio relativa quando se fala em violação de direitos. O que será feito com os estudantes que promoveram uma série de violações contra calouros durante um trote ocorrido em março? Já se sabe qual será a punição dos agressores? Não? Ah, OK.
(UPDATE 2: a UFMG encaminhou relatório sobre o trote racista. Nossa, dois meses sem ter notícia... Para mim, o pessoal tinha até esquecido disso.)
Mas, no caso de uma infração ao patrimônio material da instituição, coloca-se câmeras; coloca-se catracas nas faculdades; coloca-se cancelas nas entradas; coloca-se uma política de afastamento. Sim, afastamento. Quem não é vinculado à Universidade que se afaste. Que não chegue perto, vai que esse bicho morde.
A UFMG morde. Pesado. Mas só morde quando existe um conflito em relação aos seus interesses. Só age quando existe um flagrante delito em relação ao seu patrimônio, aos seus bens. Como uma velha dona da Classe Média que exige que a mão do seu assaltante seja decepada.
Na época que era universitário, o atual reitor era candidato. E vejo o quão decepcionante é ver uma pessoa na qual você depositou um voto e simplesmente apunhalá-la pelas costas. A UFMG merece mais do que isso. Merece ser aberta à comunidade, não mais se voltar apenas a si mesmo. Seremos, se continuarmos assim, um bando de iluminados que não iluminam ninguém fora do espaço institucional. Já passou do tempo de a UFMG promover, como universidade, um acesso universal ao seu espaço, ao seu interior. Pois quando mais ela se fechar, mais ela vai afastar quem realmente necessita do seu espaço, do seu conforto. Dentro do campus, são poucos os lugares onde há a promoção de uma cultura de trocas e socializações.
Tomara, um dia, que Clélio Campolina (reitor em quem votei na época da eleição e que me arrependo amargamente de ter ajudado a ir para a Reitoria) repense essas atitudes. Se não for ele a pessoa que repensará a UFMG, que venha o próximo.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Chegar no trabalho: uma conquista
Sete da manhã. O despertador toca. Eu insisto em não querer me lembrar que hoje é segunda, segunda brava, volta de feriado. Dormi pouco, cheguei de uma viagem a Brasília ontem 23h. Peguei as bagagens e, ao chegar no guichê da Expresso UNIR, para pegar o ônibus que desce até a Rodoviária, a moça me informa que o próximo Ônibus (23h15) já estava lotado. O próximo? 23h45. É de deixar qualquer pessoa que fez um trecho mais longo que o meu um bocado irritado. Como assim, chegada de feriado, a empresa não se dispõe de colocar pelo menos um carro extra, intermediário, para desafogar a demanda? Confins estava lotado, os táxis metropolitanos não estavam dando conta de tanta gente chegando, e a empresa, no alto do seu luxo, precariza quem necessita do transporte. Ela aproveita que é também concessionária da linha executiva (que é direta, vai até o Lourdes e custa duas vezes mais que a linha convencional) para quebrar as nossas pernas desse jeito.
Tomado o ônibus das 23h45, chegamos à Rodoviária meia-noite e quarenta. Havia uma fila gigante para tomar o táxi e ir embora. Ocupava todo o espaço do desembarque. Desisti, tomei um táxi lá fora. (E eu não sou de tomar táxi porque acho caro, ainda mais que desde semana passada a BHTRANS resolveu reajustar a bandeirada para mais de 4,00. Eu até poderia ter voltado de ônibus, mas o ponto, para quem está de malas, cansado e de madrugada na pista, é distante e a espera pelo Noturno poderia render pelo menos quarenta minutos). Cheguei em casa 1h15. (Se houvesse o ônibus da UNIR às 23h30, teria chegado em casa com mais rapidez. Mas isso são meros recalques, né mesmo, de quem usa transporte coletivo.)
Mas voltando ao dia de hoje. Acordei 7h, com um cansaço pesado e um humor retraído. Saio de casa 7h50 e o ônibus passa 7h55. Geralmente, no horário de pico eu gasto 30 minutos para chegar ao meu destino, o bairro Floresta. Às 8h, quase em ponto, o ônibus entra em um congestionamento que começa na região do Hospital Belo Horizonte. E assim vai. Quer dizer, e assim não vai.
Para andar cerca de 300 metros, gastei 30 minutos. Quando deu 9 horas, eu desisti. O ônibus ainda nem havia chegado ao Colégio Batista, a rua Pitangui estava toda engarrafada (ela é estreita e de mão dupla). Subi a pé, com o peso da mochila, a fim de pelo menos não perder a manhã no congestionamento.
Vim a pé, consegui chegar. Entrei no trabalho com um atraso de uma hora. Havia pessoas no ônibus que tinham compromisso além Centro às 9h, e nesse horário sequer saíramos do lugar. Estava tudo tão complicado que eu tive que andar para poder acabar de chegar. E cheguei. Se não, estaria lá, parado, chegando quiçá ainda no Colégio Batista ou algo que o valha.
No ônibus, uma senhora comentava que "tinha muito carro na rua". E tem mesmo: subindo a Pitangui a pé, dava para notar a quantidade de carros que transportavam somente uma pessoa. Eram vários. Me senti em Brasília, só que com morros e com bem menos estruturas. Belo Horizonte deseja se projetar como uma capital de vanguarda, mas acredito que seus gestores (e "prefeito") não saibam o significado dessa palavra. A diferença crucial que vi entre BH e BSB tem um nome: transporte metroviário.
Mas eu meio que desisti de bater nessa tecla porque se nem a BHTRANS se toca para essa necessidade, que dirá eu, mero reles cidadão comum que não entendo de Engenharia de Tráfego, mas entendo de Necessidades Urbanas? Fica fácil para o pessoal aí da empresa de trânsito pensar um transporte de dentro das cabines e gabinetes refrigerados. O dia que algum alto funcionário da BHTRANS precisar passar pelo o que nós passamos, aí a coisa funciona. Porque esperar que Márcio Lacerda vá colocar alguém como nós, que entendemos a situação do trânsito, para participar da gestão urbana, é muita utopia.
Tomado o ônibus das 23h45, chegamos à Rodoviária meia-noite e quarenta. Havia uma fila gigante para tomar o táxi e ir embora. Ocupava todo o espaço do desembarque. Desisti, tomei um táxi lá fora. (E eu não sou de tomar táxi porque acho caro, ainda mais que desde semana passada a BHTRANS resolveu reajustar a bandeirada para mais de 4,00. Eu até poderia ter voltado de ônibus, mas o ponto, para quem está de malas, cansado e de madrugada na pista, é distante e a espera pelo Noturno poderia render pelo menos quarenta minutos). Cheguei em casa 1h15. (Se houvesse o ônibus da UNIR às 23h30, teria chegado em casa com mais rapidez. Mas isso são meros recalques, né mesmo, de quem usa transporte coletivo.)
Mas voltando ao dia de hoje. Acordei 7h, com um cansaço pesado e um humor retraído. Saio de casa 7h50 e o ônibus passa 7h55. Geralmente, no horário de pico eu gasto 30 minutos para chegar ao meu destino, o bairro Floresta. Às 8h, quase em ponto, o ônibus entra em um congestionamento que começa na região do Hospital Belo Horizonte. E assim vai. Quer dizer, e assim não vai.
Para andar cerca de 300 metros, gastei 30 minutos. Quando deu 9 horas, eu desisti. O ônibus ainda nem havia chegado ao Colégio Batista, a rua Pitangui estava toda engarrafada (ela é estreita e de mão dupla). Subi a pé, com o peso da mochila, a fim de pelo menos não perder a manhã no congestionamento.
Vim a pé, consegui chegar. Entrei no trabalho com um atraso de uma hora. Havia pessoas no ônibus que tinham compromisso além Centro às 9h, e nesse horário sequer saíramos do lugar. Estava tudo tão complicado que eu tive que andar para poder acabar de chegar. E cheguei. Se não, estaria lá, parado, chegando quiçá ainda no Colégio Batista ou algo que o valha.
No ônibus, uma senhora comentava que "tinha muito carro na rua". E tem mesmo: subindo a Pitangui a pé, dava para notar a quantidade de carros que transportavam somente uma pessoa. Eram vários. Me senti em Brasília, só que com morros e com bem menos estruturas. Belo Horizonte deseja se projetar como uma capital de vanguarda, mas acredito que seus gestores (e "prefeito") não saibam o significado dessa palavra. A diferença crucial que vi entre BH e BSB tem um nome: transporte metroviário.
Mas eu meio que desisti de bater nessa tecla porque se nem a BHTRANS se toca para essa necessidade, que dirá eu, mero reles cidadão comum que não entendo de Engenharia de Tráfego, mas entendo de Necessidades Urbanas? Fica fácil para o pessoal aí da empresa de trânsito pensar um transporte de dentro das cabines e gabinetes refrigerados. O dia que algum alto funcionário da BHTRANS precisar passar pelo o que nós passamos, aí a coisa funciona. Porque esperar que Márcio Lacerda vá colocar alguém como nós, que entendemos a situação do trânsito, para participar da gestão urbana, é muita utopia.
terça-feira, 12 de março de 2013
O nome do homem é desconhecido, mas o cachorro se chama Juarez
Está um dia de calor angustiante em Belo Horizonte - quiçá, um dia, a capital (que antigamente tinha um clima agradável) chegue aos pés de Cuiabá e do interior do Maranhão. Angustiante também me encontro, haja vista um mundo acontecendo aos meus pés e eu não me dando conta de que preciso ficar em pé.
Mas, antes de ficar em pé, eu preciso olhar para o chão. E é no chão que se encontram vários ecossistemas - vivos, mortos ou degradados. É olhando para o chão que a gente às vezes faz um gesto de humildade, de reverência, de consternação. Olhe o chão da sua rua e veja quão variada é a biodiversidade dele.
No chão, você encontra mato, asfalto, ladrilhos, pedra portuguesa, restos de fezes humanas, lixos orgânicos e não orgânicos. E, olha só, há outros seres vivos que coabitam desse espaço.
Um deles é o Juarez. Um simpático cão que conseguiu uma casinha e comida. Ele foi adotado por taxistas no Centro do Rio de Janeiro. Mas Juarez tem um vizinho. Um vizinho nada importante, nada notório. Ninguém sabe o nome dele, nem o que ele é. Só se sabe que ele é um mendigo.
Isso mesmo, um mendigo. Sabe, essas coisas que aparecem do nada e enfeiam a cidade? Que ficam incomodando pedindo dinheiro ou comida? Sabe, esses entes desconhecidos, sem rumo?
Pois é. O cão tem um vizinho. O que o vizinho é, de onde vem, ninguém sabe. Ninguém quis saber.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
O Carnaval, o Carnaval, o Carnaval...
É quarta de cinzas, mas parece que o Carnaval de Belo Horizonte não teve seu fim ainda. A cidade que outrora era refúgio dos avessos à folia, mostrou todo um potencial a ser explorado (mercadologicamente falando) em relação às festas de e na rua que ocorreram desde o dia 2 de fevereiro. Nesse dia, iniciou-se o pré-carnaval com o Bloco Mamá na Vaca (que se concentra na Praça Cairo, no Santo Antônio, e desce a rua Leopoldina até a Contorno) e com o S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L., evento de música independente que, em sua quarta edição, enfrentou uma chuva um pouco forte que não desanimou os foliões que lá estavam. Pelo contrário: os shows das bandas independentes convidadas a tocarem no Festival deram a tônica e o calor da coisa. Entrou numa fria quem não teve lá.
Falando em fria, não tem como falar de Carnaval sem, infelizmente, citar a Prefeitura. É, eu queria só falar de coisa boa, mas o povo do 1212 da Afonso Pena não deixa.
Uma coisa é certa: o Carnaval de Rua de Belo Horizonte deu muito certo em 2013. Graças à população, que se mobilizou e fez o negócio na tora - porque, se dependesse da Empresa de Turismo de BH, a Belotur, as coisas não seriam tão felizes assim. Primeiro, pelo fato de a empresa soltar um edital de apoio aos blocos - cujo critério fundamental é ser pessoa jurídica. Haja PJ para tanto bloco, amigo! O outro é um fato recente, que culminou no contato do ECAD (a obscura empresa arrecadadora de Direitos Autorais) com os responsáveis pelos blocos, dizendo que, como a Belotur não tinha entrado em contato com eles para saber a questão do pagamento dos direitos, eles (o ECAD) tiveram que acionar os blocos para ver essa questão.
Me preocupa deveras essa postura intransigentemente distante da Prefeitura. Preocupa-me o fato de que o Carnaval das escolas de samba, na Praça da Estação, ter que ser gradeado, cercado, cheio de catracas e roletas e acessado somente por um ingresso que você tem que pegar antecipado. É uma Prefeitura que faz com que a cidade seja para poucos, que tem que cumprir requisitos (consideravelmente fascistas, separadores e desagregadores) que somente visam dificultar o acesso, a chegada.
Outra postura que preocupa em relação ao boom que 2014 terá com nosso Carnaval é o fato de Belo Horizonte não contar com uma mobilidade decente. Com um tanto de gente se deslocando pelos bairros (de Barreiro ao Concórdia, do Centro a Santa Tereza), pede-se desesperadamente por um táxi tal como um andarilho suplica por água no deserto. Sim, desertas ficam, também, nossas esperanças de conseguir uma lotação para ir ou vir - todas encontram-se com o horário super reduzido e, mais, algumas deixam de circular parcial ou integralmente; significa dizer que a cidade anda pululando de coisas e a BHTRANS, sutilmente, dificulta o seu caminhar pela cidade. Nem isso ela deixa, meu Deus...
E é melhor pegar com Ele mesmo, porque, se depender da Prefeitura de Márcio Lacerda, o "prefeito" pode transformar toda a alegria de uma cidade que se revolta e se rebela contra ele e contra seus ditames no veio mais vil e tenebroso do Marketing Institucional. Imagine que 2014 será ano de Copa do Mundo, com Belo Horizonte sendo uma das doze cidades-sede. Imagine que em 2014, Márcio Lacerda será ainda "prefeito" da cidade - ou, quiçá, quererá galgar pontos mais altos das Altas Câmaras - estou falando do Governo de Minas (se isso acontecer, preparem-se para serem governados por uma pessoa que um dia disse que estaria do lado de quem estivesse contra o Márcio e que agora é amigão de sauna dele). Imaginou? Pois é.
Foram mais de 70 blocos pela cidade nos últimos quinze dias - contando o pré carnaval, que se iniciou, como eu disse acima, dia 2 de fevereiro. Teve gente que saiu de São Paulo para poder viver o Carnaval daqui. Eu deixei de subir para Olinda/Recife por ter ouvido de amigos meus que o Carnaval aqui ano passado foi uma delícia. Tomara que esse movimento continue livre, espontâneo, feliz - como foi o Carnaval 2013. E espero sinceramente que Márcio e seus asseclas não queiram regular demais a porra toda, colocando cordas para separar a "galera do bloco" do "resto da rua", como acontece em Salvador. Espero que o povo continue fazendo a farra na rua, sem necessidade de intervenção policial por causa de Lei de Silêncio; que a Prefeitura, como seu dever, ajude os blocos a se manterem com o mínimo de estrutura - banheiros químicos e espaço para os ambulantes circularem com a cerveja; que Márcio Lacerda se sensibilize (se isso algum dia for possível, pois eu particularmente acho difícil) que não é gradeando os espaços e separando por catracas que se resolve o problema da segurança dos que estão curtindo o Carnaval, mas tal xenofobia só aumenta as tensões e faz esse "prefeito" ser cada dia mais odiado; que dá para ser feliz com pouco, basta apenas um incentivo aos blocos encabeçados por pessoas físicas - essa coisa de ter tudo institucionalizado embrutece cada vez mais o ser humano.
Por enquanto, o Carnaval é findo. Mas 2014 vem chegando aí. Não vou ser pessimista, jogar água no chope e falar que a Copa vai acabar e foder com tudo. Tomara que não. Ano que vem estarei eu aqui, novamente, curtindo o Carnaval a minha cidade natal - um Carnaval que há tempos eu não via por aqui: uma festa de rua, uma celebração com os que estão na rua, uma alegria para os que ficam na rua.
Falando em fria, não tem como falar de Carnaval sem, infelizmente, citar a Prefeitura. É, eu queria só falar de coisa boa, mas o povo do 1212 da Afonso Pena não deixa.
Uma coisa é certa: o Carnaval de Rua de Belo Horizonte deu muito certo em 2013. Graças à população, que se mobilizou e fez o negócio na tora - porque, se dependesse da Empresa de Turismo de BH, a Belotur, as coisas não seriam tão felizes assim. Primeiro, pelo fato de a empresa soltar um edital de apoio aos blocos - cujo critério fundamental é ser pessoa jurídica. Haja PJ para tanto bloco, amigo! O outro é um fato recente, que culminou no contato do ECAD (a obscura empresa arrecadadora de Direitos Autorais) com os responsáveis pelos blocos, dizendo que, como a Belotur não tinha entrado em contato com eles para saber a questão do pagamento dos direitos, eles (o ECAD) tiveram que acionar os blocos para ver essa questão.
Me preocupa deveras essa postura intransigentemente distante da Prefeitura. Preocupa-me o fato de que o Carnaval das escolas de samba, na Praça da Estação, ter que ser gradeado, cercado, cheio de catracas e roletas e acessado somente por um ingresso que você tem que pegar antecipado. É uma Prefeitura que faz com que a cidade seja para poucos, que tem que cumprir requisitos (consideravelmente fascistas, separadores e desagregadores) que somente visam dificultar o acesso, a chegada.
Outra postura que preocupa em relação ao boom que 2014 terá com nosso Carnaval é o fato de Belo Horizonte não contar com uma mobilidade decente. Com um tanto de gente se deslocando pelos bairros (de Barreiro ao Concórdia, do Centro a Santa Tereza), pede-se desesperadamente por um táxi tal como um andarilho suplica por água no deserto. Sim, desertas ficam, também, nossas esperanças de conseguir uma lotação para ir ou vir - todas encontram-se com o horário super reduzido e, mais, algumas deixam de circular parcial ou integralmente; significa dizer que a cidade anda pululando de coisas e a BHTRANS, sutilmente, dificulta o seu caminhar pela cidade. Nem isso ela deixa, meu Deus...
E é melhor pegar com Ele mesmo, porque, se depender da Prefeitura de Márcio Lacerda, o "prefeito" pode transformar toda a alegria de uma cidade que se revolta e se rebela contra ele e contra seus ditames no veio mais vil e tenebroso do Marketing Institucional. Imagine que 2014 será ano de Copa do Mundo, com Belo Horizonte sendo uma das doze cidades-sede. Imagine que em 2014, Márcio Lacerda será ainda "prefeito" da cidade - ou, quiçá, quererá galgar pontos mais altos das Altas Câmaras - estou falando do Governo de Minas (se isso acontecer, preparem-se para serem governados por uma pessoa que um dia disse que estaria do lado de quem estivesse contra o Márcio e que agora é amigão de sauna dele). Imaginou? Pois é.
Foram mais de 70 blocos pela cidade nos últimos quinze dias - contando o pré carnaval, que se iniciou, como eu disse acima, dia 2 de fevereiro. Teve gente que saiu de São Paulo para poder viver o Carnaval daqui. Eu deixei de subir para Olinda/Recife por ter ouvido de amigos meus que o Carnaval aqui ano passado foi uma delícia. Tomara que esse movimento continue livre, espontâneo, feliz - como foi o Carnaval 2013. E espero sinceramente que Márcio e seus asseclas não queiram regular demais a porra toda, colocando cordas para separar a "galera do bloco" do "resto da rua", como acontece em Salvador. Espero que o povo continue fazendo a farra na rua, sem necessidade de intervenção policial por causa de Lei de Silêncio; que a Prefeitura, como seu dever, ajude os blocos a se manterem com o mínimo de estrutura - banheiros químicos e espaço para os ambulantes circularem com a cerveja; que Márcio Lacerda se sensibilize (se isso algum dia for possível, pois eu particularmente acho difícil) que não é gradeando os espaços e separando por catracas que se resolve o problema da segurança dos que estão curtindo o Carnaval, mas tal xenofobia só aumenta as tensões e faz esse "prefeito" ser cada dia mais odiado; que dá para ser feliz com pouco, basta apenas um incentivo aos blocos encabeçados por pessoas físicas - essa coisa de ter tudo institucionalizado embrutece cada vez mais o ser humano.
Por enquanto, o Carnaval é findo. Mas 2014 vem chegando aí. Não vou ser pessimista, jogar água no chope e falar que a Copa vai acabar e foder com tudo. Tomara que não. Ano que vem estarei eu aqui, novamente, curtindo o Carnaval a minha cidade natal - um Carnaval que há tempos eu não via por aqui: uma festa de rua, uma celebração com os que estão na rua, uma alegria para os que ficam na rua.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Suplantando superficialidades com a virtualidade
Tem dias que eu me sinto mesmo um Jack Nicholson no Um Estranho no Ninho. Ou um Ivan de O Invasor. Mas é certo que o meu sentimento é de afastamento, de isolamento, de perceber que tem algo muito errado com essa porra de mundo.
Vejam o print da tela abaixo. Pode ser algo bem OLD, mas só hoje que eu vi.
Um site que agencia namoros fake. Namoros de fachada. Você PAGA para ter um script ou um fake na sua timeline escrevendo coisas só para incitar o ódio na sua ex.
Só duas palavras: meu Deus.
Vejam o print da tela abaixo. Pode ser algo bem OLD, mas só hoje que eu vi.
Um site que agencia namoros fake. Namoros de fachada. Você PAGA para ter um script ou um fake na sua timeline escrevendo coisas só para incitar o ódio na sua ex.
Só duas palavras: meu Deus.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Graham Chapman Day (atrasado, mas ainda vale)
Se estivesse vivo, Graham Chapman faria 72 anos ontem, 8 de janeiro de 2013. Se você se pergunta quem é esse cara, digo-lhe que ele faz parte de uma trupe de humor nonsense que mudou o meu (non)senso de humor.
Eu já ouvia falar de Monty Python desde o segundo semestre de 2006, mas nunca tinha assistido nada. Amigos meus sempre comentavam, falavam bem, mas nunca tinha me dado um clique para saber do que se tratava. Em fevereiro de 2007, o falecido Centro de Cultura de Belo Horizonte, no Centro - hoje, Centro de Referência da Moda -, fez uma exibição de vários filmes de Monty Python. Curió como um pretenso jornalista que eu era (ainda cursava a graduação, indo para o quarto período), fui assistir a "Em Busca do Cálice Sagrado", sem muita expectativa - era mais a curiosidade pelo o que os outros falavam em relação ao grupo que me motivava me deslocar da Pampulha, do campus da UFMG, para o Centro.
Digo que não me arrependo.
Foi um dos melhores filmes que já vi na minha vida. Ria feito um bobo, um besta, um bocó, por todas as piadas nonsenses que lá apareciam e por todas as críticas à sociedade, reveladas com um inteligentíssimo bom humor. E, ao ver o filme, relacionei as piadas às brincadeiras e zuações que meus amigos e eu já fazíamos, à época de Colégio. Sim, a gente era Monty Python sem saber o que isso era. Principalmente pelo humor tosco, nonsense, viajado, pelas ideias desconexas que acabavam tendo sentido e pelas ideias com sentido que acabavam sendo desconexas.
Não digo que o sexteto britânico "mudou a minha vida", como um tanto de gente diz. Mudar, acho que não. Mas que me revelou um mundo além de A Praça É Nossa e Zorra Total, ah, isso com certeza. Eu já me via cansado desses programas humorísticos, mas não conhecia muita coisa além - eu não tinha, ainda, a delícia da banda larga em casa; por meio dela, saí fuçando os esquetes de Monty Python, e saí rindo feito besta. É muito simples e muito profundo o que eles fazem. Nada deles é rasteiro e simples.
Graham Chapman era um dos caras que compunham a trupe. No filme "Em Busca do Cálice Sagrado", é ele quem executa o papel do Rei Arthur, "filho de Uther Pendragon do Castelo de Camelot. Rei dos Bretões, vencedor dos Saxões, soberano sobre toda a Inglaterra". Se não tivesse falecido por complicações decorrentes de um câncer, Chapman estaria ainda com Clesse, Palin, Gilliam, Jones e Idle, o resto da turma.
Chapman é o único Monty Python que está morto. Mas não o Rei Arthur. Não os seus papeis nos outros filmes - que, estranhamente, não me marcaram tanto quanto o Cálice Sagrado; não que fossem menos importantes, nem que fossem mais ruins, muito pelo contrário! A Vida de Brian e O Sentido da Vida fazem críticas tão contundentes e violentamente insanas quanto o Cálice Sagrado, mas... sei lá, acho que o típico de crítica feito no Cálice - na verdade, a quem se dirige a crítica - é que me fez preferi-lo.
Para quem interessar, eis o filme completo:
Eu já ouvia falar de Monty Python desde o segundo semestre de 2006, mas nunca tinha assistido nada. Amigos meus sempre comentavam, falavam bem, mas nunca tinha me dado um clique para saber do que se tratava. Em fevereiro de 2007, o falecido Centro de Cultura de Belo Horizonte, no Centro - hoje, Centro de Referência da Moda -, fez uma exibição de vários filmes de Monty Python. Curió como um pretenso jornalista que eu era (ainda cursava a graduação, indo para o quarto período), fui assistir a "Em Busca do Cálice Sagrado", sem muita expectativa - era mais a curiosidade pelo o que os outros falavam em relação ao grupo que me motivava me deslocar da Pampulha, do campus da UFMG, para o Centro.
Digo que não me arrependo.
Foi um dos melhores filmes que já vi na minha vida. Ria feito um bobo, um besta, um bocó, por todas as piadas nonsenses que lá apareciam e por todas as críticas à sociedade, reveladas com um inteligentíssimo bom humor. E, ao ver o filme, relacionei as piadas às brincadeiras e zuações que meus amigos e eu já fazíamos, à época de Colégio. Sim, a gente era Monty Python sem saber o que isso era. Principalmente pelo humor tosco, nonsense, viajado, pelas ideias desconexas que acabavam tendo sentido e pelas ideias com sentido que acabavam sendo desconexas.
Não digo que o sexteto britânico "mudou a minha vida", como um tanto de gente diz. Mudar, acho que não. Mas que me revelou um mundo além de A Praça É Nossa e Zorra Total, ah, isso com certeza. Eu já me via cansado desses programas humorísticos, mas não conhecia muita coisa além - eu não tinha, ainda, a delícia da banda larga em casa; por meio dela, saí fuçando os esquetes de Monty Python, e saí rindo feito besta. É muito simples e muito profundo o que eles fazem. Nada deles é rasteiro e simples.
Graham Chapman era um dos caras que compunham a trupe. No filme "Em Busca do Cálice Sagrado", é ele quem executa o papel do Rei Arthur, "filho de Uther Pendragon do Castelo de Camelot. Rei dos Bretões, vencedor dos Saxões, soberano sobre toda a Inglaterra". Se não tivesse falecido por complicações decorrentes de um câncer, Chapman estaria ainda com Clesse, Palin, Gilliam, Jones e Idle, o resto da turma.
Chapman é o único Monty Python que está morto. Mas não o Rei Arthur. Não os seus papeis nos outros filmes - que, estranhamente, não me marcaram tanto quanto o Cálice Sagrado; não que fossem menos importantes, nem que fossem mais ruins, muito pelo contrário! A Vida de Brian e O Sentido da Vida fazem críticas tão contundentes e violentamente insanas quanto o Cálice Sagrado, mas... sei lá, acho que o típico de crítica feito no Cálice - na verdade, a quem se dirige a crítica - é que me fez preferi-lo.
Para quem interessar, eis o filme completo:
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
"Vou te bater, Giovanna!"
E, de repente, a voz de uma mãe ecoa no banco logo atrás do meu no ônibus:
- Ah, não, Giovanna! Eu vou te bater!
Eu estava indo ao Centro pela manhã. Em cima do Viaduto da Lagoinha, a criança começou a passar mal e a golfar na mãe.
- É a segunda vez já que você faz isso! Toda vez que pega ônibus é isso!
A garota tem no máximo três anos - observei na hora que desci no meu ponto. A fala da mãe parece acusar a menina de sempre fazer isso de propósito. Em um momento no qual a guria de colo precisa de apoio, a mãe pensa na reprimenda "justa" e imediata.
- Agora, cê vai pro médico assim mesmo, toda suja!
O que me fez refletir sobre esse ofício deveras trabalhoso que é ser mãe, ser pai. Tudo bem que a mãe poderia ter ficado puta da vida com a menina passando mal dentro do ônibus e deixando o coletivo com aquele típico cheiro de leite talhado. Mas percebi uma reação exagerada da mãe com a filha.
- Vou te bater, Giovanna!
Fiquei com aquilo na cabeça. Ecoando. Essa frase aí em cima. Donde concluí que, realmente, não é qualquer pessoa que pode ser mãe ou pai, por mais que queira, por mais que deseje.
São em situações extremas como essa que se percebe o deslocamento de sentimentos. Em vez do apoio, a vontade de esganar; em vez de segurar a testa da menina para ajudá-la no vômito, age com alguma indiferença que está mais para a ignorância. Resultado disso é que a menina se suja, a mãe se suja, a acompanhante da mãe ao lado tem sua bolsa toda sujada. Mas está mais para a sujeira de espírito e de caráter que a bagunça do refluxo da garotinha.
- Vou te bater, Giovanna!
O cheiro de vômito infantil ficou disseminado no coletivo. Desci, olhei de relance para a menina. Rosto redondo, olhos amendoados, parecendo serem castanhos claros. A mãe tinha um físico magro, parecia (repito, parecia) ser adolescente ou uma jovem de 18, 19 anos. Seria uma impaciência juvenil contra um evento que lhe causa contragosto? Não quero buscar o motivo da reação dessa a quem atribuo a maternidade da criança - pode ser, pode não ser. Mesmo não sendo, essa mãe está mais para algoz do que para uma singela distribuidora de afeto.
E pensar que atos de tamanha nervosia infelizmente não são raros.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
O preconceito está por eu não ser você
Preconceito. Wikipédia define essa palavra como "'juízo' preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude 'discriminatória' perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou 'estranhos'. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente.'"
Geralmente, todos nós temos alguns tipos de preconceitos - ah, aquele preto; ah, aquela loira burra. Tudo o que temos encrustado na nossa sociedade acaba se revelando em atitudes não somente discriminatórias, mas também violentas.
Que o digam os agressores do André, estudante homossexual de Direito da USP, que foi agredido em Pinheiros, bairro de São Paulo (onde moram oitenta por cento dos meus amigos de Belo Horizonte que foram se aventurar pela Babilônia).
Que o digam os estereótipos comuns que vemos retratados em esquetes de humor tão propalados na grande mídia. Porque não faz mal reforçar aquilo que é natural, né?
Que o digam nós, que em atitudes das menos suspeitas conseguimos formular as mais diversas frases, tendo opiniões formadas sobre tudo. É bandido? Tem que morrer! Um a menos! É "de menor"? Manda prender junto com todo mundo!
O principal fundamento do nosso preconceito é o desconhecimento. A ignorância não no sentido da burrice, mas da não consciência de algo. Eu discrimino, tu me apoias, ele se ferra, nós zombamos, vós acusais, eles se defendem. De certa forma, é confortável.
E como é difícil sair da zona de conforto.
Nós só tiramos as pantufas quando vamos à rua. Mas para que sair de casa, se existe o tal do delivery?
Somente podemos fazer um efetivo exercício de compreensão do nosso preconceito quando damos conta dele. Quando em vez de dizer "não tenho preconceito, MAS...", admitimos e falamos "eu tenho preconceito com isso, isso e aquilo". Já é um passo. Você pode até continuar com esse seu jeito discriminatório, mas ele não será mais velado e muito menos desconhecido até por você mesmo.
Pare de se enganar, antes de tudo, e comece a se ver por dentro. Ao que apontar um dedo para outra pessoa, há três dedos apontando de volta. Porque é esse um dos problemas do Brasil Cordial: acha que está tudo OK, que não tem nada de errado, e que certos tipos de atitudes não querem dizer um comportamento preconceituoso.
Geralmente, todos nós temos alguns tipos de preconceitos - ah, aquele preto; ah, aquela loira burra. Tudo o que temos encrustado na nossa sociedade acaba se revelando em atitudes não somente discriminatórias, mas também violentas.
Que o digam os agressores do André, estudante homossexual de Direito da USP, que foi agredido em Pinheiros, bairro de São Paulo (onde moram oitenta por cento dos meus amigos de Belo Horizonte que foram se aventurar pela Babilônia).
Que o digam os estereótipos comuns que vemos retratados em esquetes de humor tão propalados na grande mídia. Porque não faz mal reforçar aquilo que é natural, né?
Que o digam nós, que em atitudes das menos suspeitas conseguimos formular as mais diversas frases, tendo opiniões formadas sobre tudo. É bandido? Tem que morrer! Um a menos! É "de menor"? Manda prender junto com todo mundo!
O principal fundamento do nosso preconceito é o desconhecimento. A ignorância não no sentido da burrice, mas da não consciência de algo. Eu discrimino, tu me apoias, ele se ferra, nós zombamos, vós acusais, eles se defendem. De certa forma, é confortável.
E como é difícil sair da zona de conforto.
Nós só tiramos as pantufas quando vamos à rua. Mas para que sair de casa, se existe o tal do delivery?
Somente podemos fazer um efetivo exercício de compreensão do nosso preconceito quando damos conta dele. Quando em vez de dizer "não tenho preconceito, MAS...", admitimos e falamos "eu tenho preconceito com isso, isso e aquilo". Já é um passo. Você pode até continuar com esse seu jeito discriminatório, mas ele não será mais velado e muito menos desconhecido até por você mesmo.
Pare de se enganar, antes de tudo, e comece a se ver por dentro. Ao que apontar um dedo para outra pessoa, há três dedos apontando de volta. Porque é esse um dos problemas do Brasil Cordial: acha que está tudo OK, que não tem nada de errado, e que certos tipos de atitudes não querem dizer um comportamento preconceituoso.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
"Você é mais machista do que consegue enxergar."
Esse alerta me foi feito numa situação pública. E chega em uma boa hora, para abrir uma discussão sobre o que a gente faz e o que a gente fala. Sem querer entrar em méritos, mas averiguando as ações das pessoas.
Quando ouvi essa frase, meu passado de atitudes machistas (e machonas) voltou como que num instante. Sem querer, eu tinha feito uma regressão em relação ao discurso que estou dizendo e das atitudes falaciosas que venho cometendo - muitas delas são imperceptíveis para mim. Mas justamente por eu não conseguir percebê-las, necessito do toque e da orientação do outro para balizar não os pensamentos (que, de certa forma, estão andando menos no caos), mas as atitudes que refletem certas inconsciências.
Todos nós vivemos num contexto social de pleno machismo, sexismo e tal. E não seria incomum nós ouvirmos frases como essa que eu ouvi e que dá nome ao título deste post. Quando não enxergamos as atitudes machistas que há em nós, acabamos por perpetuar o que já existe na sociedade - sim, mesmo que tenhamos um discurso avesso e de repulsa a todo esse comportamento retrógrado. Mas temos, às vezes, esse inconsciente retrógrado.
Tal como o pai ou a mãe que adverte o filho para não colocar o dedo na tomada, eu preciso de pessoas cuja consciência está mais presente nessas questões para me advertir do que faço, do que falo, do que penso. Pelo menos eu não tenho o desejo (consciente) de perpetuar essas velhas práticas que tanto me dão ojeriza. Mas acabamos reproduzindo, sem querer mesmo. Daí a importância das outras pessoas em sempre nos darem o toque, nos advertirem desses atos, nos cutucarem. Se não, as velhas práticas permanecem, e a gente sempre faz mais do mesmo.
Daí a importância de não se calar ao perceber uma atitude que te incomoda. Não advertir o outro causa um efeito negativo duplo: na pessoa que manifestou essa atitude, que vai continuar perpetuando esses atos de incoerência; e na outra pessoa que viu isso como negativo, porque vai acabar acumulando uma carga pesada por não ter dito na hora, ficando apenas se remoendo com o dito do outro.
É tarefa minha repensar meus atos, minhas atitudes e minhas formas de lidar com as coisas para que isso se alinhe com o que tenho defendido politicamente. Mas não custa nada um cutucãozinho dos amigos para me advertir que, na maioria das vezes sem perceber, eu estou fazendo isso errado.
Em tempo: aproveito a oportunidade para mostrar uma reportagem realizada sobre esse tema, em junho, depois da Marcha das Vadias. Foi uma produção para o Conexão Periférica, acho que vale a pena postá-lo aqui. E, de pronto, peço desculpas se em alguma atitude fui incoerente com meu discurso. Me cutuque sem medo. E se deixe cutucar, também - seja por mim, seja pelos outros.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Na Savassi ninguém dá dura
Era sexta-feira, 9 de novembro. Costumeiramente, eu vou ao Edifício Arcangelo Maletta, na Augusto de Lima com Bahia, tomar um café ou uma cerveja. Nada demais, só questão de frequência, mesmo. Mas, por uma ironia do destino - a chuva, que desanimara uma pá de gente de sair de casa - eu também não saí. Fiquei em casa, descansando, me preparando para a viagem do dia seguinte para São Paulo.
Durante o fim de semana, eu vejo um burburinho no Facebook sobre uma operação truculenta e pesada da Polícia Militar num espaço aí. Só que eu não tinha tido a oportunidade de ver o que tinha acontecido, e só hoje li sobre o quê se tratava, neste link:
Uma operação coordenada pela Polícia Militar (PM), na noite de sexta-feira (9), no Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte, está sendo alvo de críticas nas redes sociais. Parte dos usuários relata ter presenciado cenas de abuso e truculência durante a ação.
Cerca de 50 militares teriam entrado no prédio por volta de 22:30 e bloqueando o único acesso pela avenida Augusto de Lima. Centenas de pessoas ocupavam os mais de 10 bares e restaurantes que ainda estavam abertos no local. Segundo os relatos feitos no Facebook, todos que saíram do edifício, a partir de então, foram revistados.
Vídeos disponibilizados no YouTube neste sábado mostram os policiais na entrada do prédio logo no início da operação. Eles usaram cães farejadores para buscar por drogas no local e concentraram os trabalhos no segundo andar do Maletta.
A ação teria sido organizada após denúncias feitas por moradores incomodados com um suposto esquema de tráfico no edifício. Diante da falta de informações sobre a operação e discordando da agressividade nas abordagens, frequentadores dos bares e restaurantes começaram a gravar a movimentação com aparelhos celulares.
Neste momento, alguns militares teriam se irritado e mandaram que todos parassem de filmar. No Facebook, pessoas que estavam no local narram que, a partir desse momento, aconteceu uma sequência de ações abusivas. Aqueles frequentadores que se negaram a desligar os celulares, tiveram os aparelhos apreendidos. Outros chegaram a ser detidos.
Tudo bem se a Polícia Militar quer mostrar serviço, está na sua obrigação. Ela exagera na maioria das vezes na abordagem - o dia que eu estava em Lagoa Santa (região metropolitana) esperando de noite um ônibus para ir embora, e o policial me abordou de dentro da viatura apontando a pistola para o meu rosto, diz um pouco disso.
Eu sou um frequentador do Maletta, dos cafés e dos bares. Há sempre companhias deveras agradáveis naquele espaço, sebos muito bons, espaços alternativos de convivência. Passei - e passo - várias horas da minha vida ali. Conheço, inclusive, pessoas que viveram o passado do Maletta, à época que ele era notícia de jornal quase todo fim de semana (isso, na década de 1970). E eu sou uma testemunha de não ter visualizado nada de grave ocorrendo naquele espaço. Até porque, por causa de um regulamento interno, você só pode ter acesso aos bares da varanda antes de 23h, depois desse horário o segurança passa a corrente, e se você está dentro não pode sair, e vice versa.
A controvérsia dessa situação está no fato de ela não acontecer em diversos outros espaços que, assim como o Maletta, são tidos como "ponto de consumo de entorpecentes". E a cerveja nossa do fim de semana, ela é o quê?
Indigna-me não a ação da PM, mas ela se restringir a somente alguns espaços. Não estou muito certo se na Savassi ou no Seis Pistas (ambos na Zona Sul) o povo somente consome vinho barato, e não outros baratos. Se a alegação para a ação é uma denúncia dos moradores, enfrentamos aí outro problema: o caráter reativo e não preventivo-ostensivo da Polícia. Traduzindo em miúdos, só reage se alguém chamar. Isso fica claro naquele caso do jornalista que foi espancado por skinheads na... Onde mesmo? Savassi! Mas com um grande porém: mesmo com o corpo sangrando, Juliano Cardoso de Azevedo e seu amigo (que também apanhou severamente) não conseguiram sequer fazer o BO - que, na linguagem popular, recebe uma conotação que eu não posso dizer aqui sob pena de calúnia.
O caráter apenas reativo da Polícia é preocupante, isso não é garantia de segurança a mim como cidadão. Mas não é isso que vai me fazer ficar preso dentro de casa.
Durante o fim de semana, eu vejo um burburinho no Facebook sobre uma operação truculenta e pesada da Polícia Militar num espaço aí. Só que eu não tinha tido a oportunidade de ver o que tinha acontecido, e só hoje li sobre o quê se tratava, neste link:
Uma operação coordenada pela Polícia Militar (PM), na noite de sexta-feira (9), no Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte, está sendo alvo de críticas nas redes sociais. Parte dos usuários relata ter presenciado cenas de abuso e truculência durante a ação.
Cerca de 50 militares teriam entrado no prédio por volta de 22:30 e bloqueando o único acesso pela avenida Augusto de Lima. Centenas de pessoas ocupavam os mais de 10 bares e restaurantes que ainda estavam abertos no local. Segundo os relatos feitos no Facebook, todos que saíram do edifício, a partir de então, foram revistados.
Vídeos disponibilizados no YouTube neste sábado mostram os policiais na entrada do prédio logo no início da operação. Eles usaram cães farejadores para buscar por drogas no local e concentraram os trabalhos no segundo andar do Maletta.
A ação teria sido organizada após denúncias feitas por moradores incomodados com um suposto esquema de tráfico no edifício. Diante da falta de informações sobre a operação e discordando da agressividade nas abordagens, frequentadores dos bares e restaurantes começaram a gravar a movimentação com aparelhos celulares.
Neste momento, alguns militares teriam se irritado e mandaram que todos parassem de filmar. No Facebook, pessoas que estavam no local narram que, a partir desse momento, aconteceu uma sequência de ações abusivas. Aqueles frequentadores que se negaram a desligar os celulares, tiveram os aparelhos apreendidos. Outros chegaram a ser detidos.
Tudo bem se a Polícia Militar quer mostrar serviço, está na sua obrigação. Ela exagera na maioria das vezes na abordagem - o dia que eu estava em Lagoa Santa (região metropolitana) esperando de noite um ônibus para ir embora, e o policial me abordou de dentro da viatura apontando a pistola para o meu rosto, diz um pouco disso.
Eu sou um frequentador do Maletta, dos cafés e dos bares. Há sempre companhias deveras agradáveis naquele espaço, sebos muito bons, espaços alternativos de convivência. Passei - e passo - várias horas da minha vida ali. Conheço, inclusive, pessoas que viveram o passado do Maletta, à época que ele era notícia de jornal quase todo fim de semana (isso, na década de 1970). E eu sou uma testemunha de não ter visualizado nada de grave ocorrendo naquele espaço. Até porque, por causa de um regulamento interno, você só pode ter acesso aos bares da varanda antes de 23h, depois desse horário o segurança passa a corrente, e se você está dentro não pode sair, e vice versa.
A controvérsia dessa situação está no fato de ela não acontecer em diversos outros espaços que, assim como o Maletta, são tidos como "ponto de consumo de entorpecentes". E a cerveja nossa do fim de semana, ela é o quê?
Indigna-me não a ação da PM, mas ela se restringir a somente alguns espaços. Não estou muito certo se na Savassi ou no Seis Pistas (ambos na Zona Sul) o povo somente consome vinho barato, e não outros baratos. Se a alegação para a ação é uma denúncia dos moradores, enfrentamos aí outro problema: o caráter reativo e não preventivo-ostensivo da Polícia. Traduzindo em miúdos, só reage se alguém chamar. Isso fica claro naquele caso do jornalista que foi espancado por skinheads na... Onde mesmo? Savassi! Mas com um grande porém: mesmo com o corpo sangrando, Juliano Cardoso de Azevedo e seu amigo (que também apanhou severamente) não conseguiram sequer fazer o BO - que, na linguagem popular, recebe uma conotação que eu não posso dizer aqui sob pena de calúnia.
O caráter apenas reativo da Polícia é preocupante, isso não é garantia de segurança a mim como cidadão. Mas não é isso que vai me fazer ficar preso dentro de casa.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Sobre Carolina e o resto do mundo
Ei, novembro, que bom que você chegou! Sempre trazendo os Filhos do Carnaval e algumas coisas mais estranhas que o ET de Varginha ou o Chupacabra.
Digo isso porque é de se estranhar que algumas coisas deem tão certo na nossa Pátria, e outras fiquem relegadas ao esquecimento. Hoje, no nosso querido Facebook (ele, como sempre, me nutrindo de utilidades públicas - ou não), referendou aquilo que eu tinha ouvido pela manhã na Band News FM - ah, sim, agora pude acreditar porque apareceu no Facebook, não é fake:
A Lei Carolina Dieckmann agora é realidade.
O problema não é a lei em si, talvez uma tentativa de se controlar e regular minimamente um espaço tão difuso e tão distrópico seja válido.
Muito menos tentar cercear aquilo que, em sua origem, já nasceu anárquico, sem controle.
O problema reside no estopim que foi o motivo para a implementação dessa lei, a moça que dá nome ao regulamento.
Carolina é uma figura pública. Teve sua bunda exposta na internet contra a sua vontade. Mas, diferente de um tanto de garota que também teve a bunda exposta na rede também a contragosto, ela tem cacife suficiente para virar nome de lei. Para estimular uma celeridade estranha aos trâmites do Legislativo Federal - o vazamento das fotos foi em maio; pouco menos de cinco meses depois e o Senado já diz sim à lei.
Se todos os casos de violação de direitos básicos e fundamentais tivessem uma vítima como a Carolina, acho que as coisas funcionariam melhor. As luzes da imprensa estariam jogadas para a cobertura desse caso, o povo iria pedir mais pressa - afinal, Carolina é "ídala"e merece ser tratada com carinho e amor. Assim como os gatinhos que a gente compartilha no (sempre ele) Facebook.
Só a título de comparação esdrúxula, a Lei Maria da Penha foi promulgada em 2006; a moça que dá nome à lei sofreu de violência física e psicológica desde 1983 - pouco tempo, uns 23 anos de delay, apenas.
E, claro, não tem como não lembrar dessa tirinha do André Dahmer.
Digo isso porque é de se estranhar que algumas coisas deem tão certo na nossa Pátria, e outras fiquem relegadas ao esquecimento. Hoje, no nosso querido Facebook (ele, como sempre, me nutrindo de utilidades públicas - ou não), referendou aquilo que eu tinha ouvido pela manhã na Band News FM - ah, sim, agora pude acreditar porque apareceu no Facebook, não é fake:
A Lei Carolina Dieckmann agora é realidade.
O plenário do Senado aprovou ontem projeto de lei que tipifica crimes cibernéticos. A proposta foi batizada de “Lei Carolina Dieckmann”. A atriz teve fotos de seu arquivo pessoal roubadas por hackers e divulgadas na internet. Atualmente não há legislação específica e os crimes nessa área são tratados como estelionato. O projeto ainda tem que ser votado pela Câmara dos Deputados.
Pela proposta, a invasão de “dispositivo informático”, conectado ou não à internet, mediante violação indevida de mecanismo de segurança, para obter, adulterar ou destruir dados e informações, instalar vulnerabilidades ou obter vantagens indevidas será punida com prisão de três meses a um ano, além de multa.
O problema não é a lei em si, talvez uma tentativa de se controlar e regular minimamente um espaço tão difuso e tão distrópico seja válido.
Muito menos tentar cercear aquilo que, em sua origem, já nasceu anárquico, sem controle.
O problema reside no estopim que foi o motivo para a implementação dessa lei, a moça que dá nome ao regulamento.
Carolina é uma figura pública. Teve sua bunda exposta na internet contra a sua vontade. Mas, diferente de um tanto de garota que também teve a bunda exposta na rede também a contragosto, ela tem cacife suficiente para virar nome de lei. Para estimular uma celeridade estranha aos trâmites do Legislativo Federal - o vazamento das fotos foi em maio; pouco menos de cinco meses depois e o Senado já diz sim à lei.
Se todos os casos de violação de direitos básicos e fundamentais tivessem uma vítima como a Carolina, acho que as coisas funcionariam melhor. As luzes da imprensa estariam jogadas para a cobertura desse caso, o povo iria pedir mais pressa - afinal, Carolina é "ídala"e merece ser tratada com carinho e amor. Assim como os gatinhos que a gente compartilha no (sempre ele) Facebook.
Só a título de comparação esdrúxula, a Lei Maria da Penha foi promulgada em 2006; a moça que dá nome à lei sofreu de violência física e psicológica desde 1983 - pouco tempo, uns 23 anos de delay, apenas.
E, claro, não tem como não lembrar dessa tirinha do André Dahmer.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
A história de mais um Brasileiro
Esta é apenas mais uma história de mais uma pessoa que talvez tenha nascido no nosso Brasil. Se é ficção ou realidade, será você quem vai decidir.
Quando nasceu Maicon Jackson Brasileiro Pereira, terceiro filho Brasileiro Pereira, houve uma festa especial com direito a um grande churrasco no barraco da família na Vila Dom Bosco. Não é que a vinda dos outros dois irmãos não tenha sido especial, mas este era diferente. A felicidade dos pais começou na sala de parto quando o médico anunciou a chegada do filho ao mundo e, ao dar uma palmadinha no bumbum da criança, olhou de relance por duas vezes para o pai, que acompanhava o nascimento.
Após darem o banho e limparem a placenta, colocaram a criança no colo da mãe que, ainda muito inchada, chorou de alegria por receber aquele milagre em seus braços. Não importa se era o terceiro, o milagre da vida era emocionante. Ao saírem da sala, as enfermeiras que limparam a mãe indagaram a paternidade daquele estranho na sala e, após a confirmação, deixaram o pai com a mãe e a criança para curtir aquele momento único.
Os pais entraram em consenso de que aquele ali deveria ter um nome diferente, de artista americano, e resolveram homenagear aquele grande cantor pop para que fosse selado na criança o destino do sucesso. A escolha do nome não obedeceu completamente à regra de seus fraternos José Mariano e João Mário, mantiveram o nome composto mas inverteu as iniciais dos pais: J e M. Dias depois, saídos do hospital, os pais buscaram os dois outros filhos na casa da avó e voltaram, felicíssimos, para o lar. E dá-lhe churrasco! Quase uma semana de comemorações para o mais novo membro da família Brasileiro Pereira, com direito a colo de todas as mulheres, elogios no diminutivo e muita inveja dos vizinhos que sempre saíam cochichando maledicências pelos cantos.
A condição social da família não era das melhores. O pai era frentista e a mãe ajudante de cozinha em uma creche. Com o nascimento de Maicon Jackson, o pai passou a trabalhar em dois turnos e a mãe acabou deixando o emprego ao fim da licença maternidade para cuidar dos filhos. Tinham uma vida difícil e sacrificada, mas contava com a ajuda da sogra que olhava os outros dois mais velhos e ajudava a comprar algumas coisas em casa. A mãe queria garantir o futuro de sua jóia e de seus irmãos, e tentava se doar o máximo para que eles não precisassem passar dificuldades. “Amor de mãe é incondicional”, dizia sempre.
E com muito amor, e sem esquecer os outros dois, a mãe reconheceu e foi lapidando sua joia para um futuro de sucesso. Maicon andou e falou antes que os irmãos. Na creche, e posteriormente na escola, nunca precisou chamar a atenção das tias e das professoras: toda tia queria pegar no colo, todo professor insistia para que ele estudasse um pouco mais, todo coleguinha queria fazer dupla com ele. Diferentemente de Maicon, seus irmãos se destacavam com as professoras e coleguinhas fazendo muita algazarra. A mãe se alternava entre ouvir os elogios a Maicon e reclamações dos outros dois - muitos não conseguiam acreditar que pudessem ser irmãos. Durante o sétimo ano do ensino fundamental, quando alcançou seus irmãos repetentes, se envolveu em uma briga.
Tudo começou quando um colega de classe caçoou de suas roupas surradas de terceira mão, herdadas dos irmãos.
- Ô, mendigo! O bolso da tua mãe também ta furado?
- Pelo menos eu não sou preto! – respondeu e saíram no tapa.
Um dia, no posto de gasolina, o pai foi chamado de corno e isso resultou em uma briga que quase lhe custou o emprego. Para se defender, dizia ter um tio-avô que era branquinho dos olhos azuis. Nunca duvidou da fidelidade de sua esposa e pensava na sorte de ter um filho branco que gerava muita inveja nos vizinhos. O cabelo do garoto, idêntico ao seu, não o deixava duvidar: o garoto era seu filho. Sangue do seu sangue, apesar da diferença na cor. Incomodava-se muito com o comportamento dos outros, com a inveja alheia. Os comentários sobre a cor do garoto o fez pensar em racismo, mas descobriu serem somente as raposas desdenhando das uvas. Afinal, todo mundo queria um filho tão branquinho. Repetiu para si, então, o que escutara de um candidato a vereador que apareceu na vila em época de eleição: “No Brasil não existe racismo, isso aqui é uma Democracia Racial!”.
O “destino” foi muito mais generoso com MJ do que com os JM. Conseguiu terminar o ensino médio e entrou como auxiliar administrativo em uma empresa. Com a ajuda do seu chefe, conseguiu fazer um curso técnico e subiu de cargo. Seu irmão mais velho seguiu o caminho do pai e virou frentista, o outro escolheu o caminho das drogas e morreu aos 21. A mãe, profeta, soube desde sempre que ele estava destinado ao sucesso. Como sempre dizia: “A cor não nega”.
***Esse texto é uma colaboração do psicólogo e amigo Douglas Lisboa. Cópia livre a quem quiser replicar - só citar a fonte. Sem ressentimentos.
Quando nasceu Maicon Jackson Brasileiro Pereira, terceiro filho Brasileiro Pereira, houve uma festa especial com direito a um grande churrasco no barraco da família na Vila Dom Bosco. Não é que a vinda dos outros dois irmãos não tenha sido especial, mas este era diferente. A felicidade dos pais começou na sala de parto quando o médico anunciou a chegada do filho ao mundo e, ao dar uma palmadinha no bumbum da criança, olhou de relance por duas vezes para o pai, que acompanhava o nascimento.
Após darem o banho e limparem a placenta, colocaram a criança no colo da mãe que, ainda muito inchada, chorou de alegria por receber aquele milagre em seus braços. Não importa se era o terceiro, o milagre da vida era emocionante. Ao saírem da sala, as enfermeiras que limparam a mãe indagaram a paternidade daquele estranho na sala e, após a confirmação, deixaram o pai com a mãe e a criança para curtir aquele momento único.
Os pais entraram em consenso de que aquele ali deveria ter um nome diferente, de artista americano, e resolveram homenagear aquele grande cantor pop para que fosse selado na criança o destino do sucesso. A escolha do nome não obedeceu completamente à regra de seus fraternos José Mariano e João Mário, mantiveram o nome composto mas inverteu as iniciais dos pais: J e M. Dias depois, saídos do hospital, os pais buscaram os dois outros filhos na casa da avó e voltaram, felicíssimos, para o lar. E dá-lhe churrasco! Quase uma semana de comemorações para o mais novo membro da família Brasileiro Pereira, com direito a colo de todas as mulheres, elogios no diminutivo e muita inveja dos vizinhos que sempre saíam cochichando maledicências pelos cantos.
A condição social da família não era das melhores. O pai era frentista e a mãe ajudante de cozinha em uma creche. Com o nascimento de Maicon Jackson, o pai passou a trabalhar em dois turnos e a mãe acabou deixando o emprego ao fim da licença maternidade para cuidar dos filhos. Tinham uma vida difícil e sacrificada, mas contava com a ajuda da sogra que olhava os outros dois mais velhos e ajudava a comprar algumas coisas em casa. A mãe queria garantir o futuro de sua jóia e de seus irmãos, e tentava se doar o máximo para que eles não precisassem passar dificuldades. “Amor de mãe é incondicional”, dizia sempre.
E com muito amor, e sem esquecer os outros dois, a mãe reconheceu e foi lapidando sua joia para um futuro de sucesso. Maicon andou e falou antes que os irmãos. Na creche, e posteriormente na escola, nunca precisou chamar a atenção das tias e das professoras: toda tia queria pegar no colo, todo professor insistia para que ele estudasse um pouco mais, todo coleguinha queria fazer dupla com ele. Diferentemente de Maicon, seus irmãos se destacavam com as professoras e coleguinhas fazendo muita algazarra. A mãe se alternava entre ouvir os elogios a Maicon e reclamações dos outros dois - muitos não conseguiam acreditar que pudessem ser irmãos. Durante o sétimo ano do ensino fundamental, quando alcançou seus irmãos repetentes, se envolveu em uma briga.
Tudo começou quando um colega de classe caçoou de suas roupas surradas de terceira mão, herdadas dos irmãos.
- Ô, mendigo! O bolso da tua mãe também ta furado?
- Pelo menos eu não sou preto! – respondeu e saíram no tapa.
Um dia, no posto de gasolina, o pai foi chamado de corno e isso resultou em uma briga que quase lhe custou o emprego. Para se defender, dizia ter um tio-avô que era branquinho dos olhos azuis. Nunca duvidou da fidelidade de sua esposa e pensava na sorte de ter um filho branco que gerava muita inveja nos vizinhos. O cabelo do garoto, idêntico ao seu, não o deixava duvidar: o garoto era seu filho. Sangue do seu sangue, apesar da diferença na cor. Incomodava-se muito com o comportamento dos outros, com a inveja alheia. Os comentários sobre a cor do garoto o fez pensar em racismo, mas descobriu serem somente as raposas desdenhando das uvas. Afinal, todo mundo queria um filho tão branquinho. Repetiu para si, então, o que escutara de um candidato a vereador que apareceu na vila em época de eleição: “No Brasil não existe racismo, isso aqui é uma Democracia Racial!”.
O “destino” foi muito mais generoso com MJ do que com os JM. Conseguiu terminar o ensino médio e entrou como auxiliar administrativo em uma empresa. Com a ajuda do seu chefe, conseguiu fazer um curso técnico e subiu de cargo. Seu irmão mais velho seguiu o caminho do pai e virou frentista, o outro escolheu o caminho das drogas e morreu aos 21. A mãe, profeta, soube desde sempre que ele estava destinado ao sucesso. Como sempre dizia: “A cor não nega”.
***Esse texto é uma colaboração do psicólogo e amigo Douglas Lisboa. Cópia livre a quem quiser replicar - só citar a fonte. Sem ressentimentos.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Joaquim Barbosa, o transparente negro
Vi um post outro dia no Facebook que me incomodou deveras:
Sei que estamos todos colocando o Joaquim num pedestal e o louvando como mártir. A principal discussão sobre esse post é o mérito às cotas. Que o fato de o Joaquim ter chegado a um alto cargo no STF sem a necessidade de bonificações por ser negro parece desconstruir o discurso pró-cotas. Espere um minuto.
Eu vou argumentar com meus achismos, como todo mundo sempre gosta de fazer – são achismos que partem da percepção que tenho diante desse problema, de desmerecer um processo inclusivo porque o outro (excepcionalmente) não se utilizou do processo.
A primeira coisa é dizer que o Joaquim não é negro. Uma falácia que se desmente ao primeiro olhar e que desconsidera todo um processo histórico de perdas, deméritos e depreciações. Basta olhar para o Joaquim e ter certeza de que ele é, sim, negro – a cor da pele dele é escura, é café, é chocolate, é morena; utilize-se do eufemismo que você quiser, mas ele é preto. Pode parecer que o sentido de “transparente” tenha a ver com como ele lida com o julgamento do Mensalão –nunca antes da história desse país um julgamento no STF teve tanta mídia e discussão. Mas eu interpreto esse “transparente” como uma forma de retirar Barbosa da sua condição de negro. E negar a negritude é o que fazemos dia após dia – “esse moreno aí”, “essa menina escura”, “esse rapaz de cor”.
Segunda coisa: o fato de haver um Joaquim Barbosa como Ministro do STF não deve servir de pauta para uma discussão contra cotas. Barbosa é exceção num universo de pessoas de cor branca – essa expressão “de cor” também se aplica aos brancos, porque, convenhamos, branco também é cor e aplicá-la somente aos negros fica uma coisa estranha. Se existe toda uma redoma histórica na vida dele, dizendo que conseguiu vencer na vida oriundo de uma família pobre e etc., não podemos simplesmente virar as costas à discussão das cotas por causa de uma exceção. Sim, Joaquim Barbosa, esse negro que está sendo venerado por nós todos, é uma exceção. Em um país onde mais da metade da população se considera negra ou parda, ter apenas um ministro negro é menos do que podemos atingir e alcançar. Repare na composição atual do Tribunal. Faça as contas: se são 11 ministros, sendo um negro, a porcentagem da representatividade negra no STF é bem inferior àquela da população – menos de 10 por cento. Repito: o fato de Barbosa não ter precisado de cotas não significa que uma pessoa também negra, também de origem humilde, também inteligentíssima, não necessite de cotas. Estamos falando de garantir oportunidades a quem não as teve, equiparando-as e reparando essa parte da sociedade que por longos invernos não pode alcançar lugares menos indignos.
Mas aí você me pergunta: “e no seu caso, Bruno?”. Sim, sou negro, tenho curso superior e não dependi de cotas. Mas o fato de eu não ter precisado de cotas, de ter tido uma família que me apoiou para poder ter uma educação decente, não tira o direito de outra pessoa que não teve as mesmas oportunidades que eu de ter acesso à educação por meio de um programa de facilitação desse acesso. Eu não precisei de cotas porque o Colégio Militar de Belo Horizonte, escola pública federal, me deu uma excelente base para que eu pudesse passar de primeira na Universidade Federal de Minas Gerais. Mas quem estuda em outras escolas do sistema público (estadual, principalmente, que é onde está o Ensino Médio) tem iguais condições de competir comigo? Querer retirar a oportunidade de um grupo social por causa de uma exceção é, no mínimo, cruel. Cotas não são critérios de promoção à desigualdade, mas uma forma de equiparar aqueles que não têm condições de competir em pé de igualdade com o status quo.
Se Joaquim Barbosa chegou onde ele está, é claro que foi por mérito próprio. E por portas que lhe foram abertas ao longo do caminho. Se eu cheguei onde estou, também foi por eu ter corrido atrás. Quantos “neguinhos” ficam aí para trás porque justamente essa porta que nós atravessamos encontra-se fechada? Em vez de apontar o dedo para uma questão de exceção, vamos ajudar para que essa exceção vire regra?
Sei que estamos todos colocando o Joaquim num pedestal e o louvando como mártir. A principal discussão sobre esse post é o mérito às cotas. Que o fato de o Joaquim ter chegado a um alto cargo no STF sem a necessidade de bonificações por ser negro parece desconstruir o discurso pró-cotas. Espere um minuto.
Eu vou argumentar com meus achismos, como todo mundo sempre gosta de fazer – são achismos que partem da percepção que tenho diante desse problema, de desmerecer um processo inclusivo porque o outro (excepcionalmente) não se utilizou do processo.
A primeira coisa é dizer que o Joaquim não é negro. Uma falácia que se desmente ao primeiro olhar e que desconsidera todo um processo histórico de perdas, deméritos e depreciações. Basta olhar para o Joaquim e ter certeza de que ele é, sim, negro – a cor da pele dele é escura, é café, é chocolate, é morena; utilize-se do eufemismo que você quiser, mas ele é preto. Pode parecer que o sentido de “transparente” tenha a ver com como ele lida com o julgamento do Mensalão –nunca antes da história desse país um julgamento no STF teve tanta mídia e discussão. Mas eu interpreto esse “transparente” como uma forma de retirar Barbosa da sua condição de negro. E negar a negritude é o que fazemos dia após dia – “esse moreno aí”, “essa menina escura”, “esse rapaz de cor”.
Segunda coisa: o fato de haver um Joaquim Barbosa como Ministro do STF não deve servir de pauta para uma discussão contra cotas. Barbosa é exceção num universo de pessoas de cor branca – essa expressão “de cor” também se aplica aos brancos, porque, convenhamos, branco também é cor e aplicá-la somente aos negros fica uma coisa estranha. Se existe toda uma redoma histórica na vida dele, dizendo que conseguiu vencer na vida oriundo de uma família pobre e etc., não podemos simplesmente virar as costas à discussão das cotas por causa de uma exceção. Sim, Joaquim Barbosa, esse negro que está sendo venerado por nós todos, é uma exceção. Em um país onde mais da metade da população se considera negra ou parda, ter apenas um ministro negro é menos do que podemos atingir e alcançar. Repare na composição atual do Tribunal. Faça as contas: se são 11 ministros, sendo um negro, a porcentagem da representatividade negra no STF é bem inferior àquela da população – menos de 10 por cento. Repito: o fato de Barbosa não ter precisado de cotas não significa que uma pessoa também negra, também de origem humilde, também inteligentíssima, não necessite de cotas. Estamos falando de garantir oportunidades a quem não as teve, equiparando-as e reparando essa parte da sociedade que por longos invernos não pode alcançar lugares menos indignos. Mas aí você me pergunta: “e no seu caso, Bruno?”. Sim, sou negro, tenho curso superior e não dependi de cotas. Mas o fato de eu não ter precisado de cotas, de ter tido uma família que me apoiou para poder ter uma educação decente, não tira o direito de outra pessoa que não teve as mesmas oportunidades que eu de ter acesso à educação por meio de um programa de facilitação desse acesso. Eu não precisei de cotas porque o Colégio Militar de Belo Horizonte, escola pública federal, me deu uma excelente base para que eu pudesse passar de primeira na Universidade Federal de Minas Gerais. Mas quem estuda em outras escolas do sistema público (estadual, principalmente, que é onde está o Ensino Médio) tem iguais condições de competir comigo? Querer retirar a oportunidade de um grupo social por causa de uma exceção é, no mínimo, cruel. Cotas não são critérios de promoção à desigualdade, mas uma forma de equiparar aqueles que não têm condições de competir em pé de igualdade com o status quo.
Se Joaquim Barbosa chegou onde ele está, é claro que foi por mérito próprio. E por portas que lhe foram abertas ao longo do caminho. Se eu cheguei onde estou, também foi por eu ter corrido atrás. Quantos “neguinhos” ficam aí para trás porque justamente essa porta que nós atravessamos encontra-se fechada? Em vez de apontar o dedo para uma questão de exceção, vamos ajudar para que essa exceção vire regra?
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Não sabem do lixo ocidental
Não me podia ter acontecido coisa melhor.
Ligar o rádio e a música que toca no exato momento é "Para Lennon e McCartney". Uma das mais fodas do Milton. A que mais me toca o coração - mesmo não sendo a favorita.
Fiquei pensando no ano de 2010. Um ano como jornalista formado. Um ano coordenando o Conexão Periférica. O ano que, pela primeira vez, saí de Minas - visitei São Paulo, em maio, na Virada. Um ano que voltei a me dedicar ao espírito e à Espiritualidade. Um ano, como todos os outros, com seus lados bons e ruins. De coisas rotineiras e outras imprevisíveis.
O balanço geral de 2010 é positivo. Que venha 2011. Não precisa medo, não...
Ligar o rádio e a música que toca no exato momento é "Para Lennon e McCartney". Uma das mais fodas do Milton. A que mais me toca o coração - mesmo não sendo a favorita.
Fiquei pensando no ano de 2010. Um ano como jornalista formado. Um ano coordenando o Conexão Periférica. O ano que, pela primeira vez, saí de Minas - visitei São Paulo, em maio, na Virada. Um ano que voltei a me dedicar ao espírito e à Espiritualidade. Um ano, como todos os outros, com seus lados bons e ruins. De coisas rotineiras e outras imprevisíveis.
O balanço geral de 2010 é positivo. Que venha 2011. Não precisa medo, não...
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