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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não adianta

Todos nós temos expectativas sobre os outros. E é lógico que isso vai acontecer comigo. Por mais que eu espere algo de alguém, eu posso às vezes não ser correspondido, tampouco compreendido.

Se você se sente decepcionado pelo meu modo de vida, desculpe. Não vou dizer que meu comportamento é imutável, mas que minha essência permanecerá a mesma. Sou duro, frio, não consigo me envolver demais e tenho esse tipo de dificuldade em me relacionar. Se você quer se aventurar, venha preparado para enfrentar pedregosa estrada.

Fui criado assim, em um lar cuja correspondência paterna era algo, digamos, insensível - no sentido de expor as emoções. Duro feito rocha, nunca dava o braço a torcer, sempre quis impor as suas opiniões (olha que tolice...). E eu, como "rebanho", fui automatizado a isso. E não serão com quatro dias ou quatro anos que eu vou mudar meu temperamento.

Posso afirmar que os meus atuais amigos remontam à época do Colégio. Detalhe: eu os conheci em 1998 e somente de cinco anos para cá é que estabeleci uma coisa mais densa, mais profunda, mais sincera comigo mesmo. Que dirá em algo que "acabou de começar".

Pode você alegar que falta preparo em mim para navegar em águas profundas. Sempre tive medo de piscina, e não é de uma hora para outra que as coisas mudam. Nem com o tempo que for, mas eu tenho ciência disso. O primeiro passo para um viciado é reconhecer o seu vício.


E... Bom... Talvez eu esteja reflexivo demais por causa de Dexter e Quero Ser John Malkovich.


Paulinho da Viola sabiamente diz uma coisa que fala sobre mim, na música "Meu Tempo é Hoje" - salvo engano, composição do Wilson Batista.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia Mundial do Rock

Hoje são 13 de julho. Uma data importante para os amantes de música - é Dia Mundial do Rock.

Eu, que sou um fã inconteste desse ritmo, não poderia deixar esse dia de hoje passar em branco.

Minha relação com o Rock começou aos oito, nove anos de idade. Lembro-me de um vinil (que até hoje tem lá em casa), com hits nacionais chamado OverDoze, com 12 faixas do Rock que rolava nos anos 1980 - descobri recentemente que o disco é do mesmo ano que nasci, 1986. Daí o fato de eu ter uma relação muito próxima com o rock.

Nesse disco, tem algumas faixas que eu ouvia incessantemente, e que até hoje canto a plenos pulmões. A primeira, "Núcleo Base", do IRA!, me mostrou que existia música além dos temas de novela e dos Românticos de Cuba - os vinis que mais eram (são, ainda) numerosos em casa; não digo que são ruins, tem uns excelentes (o de Dancin' Days Internacional, por exemplo), mas é porque o rock, enquanto eu ainda era criança, era-me uma coisa meio obscura, proibida, "só de gente grande". E vira-e-mexe eu ouvia, escondido, esse disco em casa.

"Núcleo Base" foi um dos primeiros rock's que decorei. O outro chama-se "Eu Não Matei Joana D'Arc", do Camisa de Vênus, então banda do despirocado Marcelo Nova. Ali eu percebi o que era ser lunático; porra, eu conhecia por alto a história de Joana D'Arc (vergonha: sabia mais àquela época do que sei hoje...) e sabia que o cantor - não exatamente o cantor, mas o idealizador da letra - era um paranoico. Um maluco, que eu imaginava num manicômio desvairando sandices sobre nunca ter tido nada, nada, nada com Joana D'Arc. E eu gostava daquela história, daquela mistura de pantomima com realidade lisérgica. É, inclusive, a minha música preferida do vinil hoje. (Em tempos passados, era Marylou, do Ultraje a Rigor.)




Foi ouvindo incessantemente, freneticamente e viajadamente que eu falei: eu também gosto de rock'n roll. E, a partir do "assassinato" de Joana, fui desbravando outros mundos, outras bandas. Uma delas, Titãs, via seu álbum Acústico MTV. Sensacional ouvi-lo aos 13 ou 14 anos. Depois, veio o Legião Urbana - ame-o ou o odeie, é parada obrigatória em se tratando de rock brasileiro. Depois vieram os internacionais, como Creed (tá, sei... Calma...), Silverchair, Pearl Jam, o próprio Elvis, Beatles, entre outros tantos.

Hoje, graças a toda essa bagagem musical (iniciada pelo meu pai, no berço, literalmente), eu homenageio com louvor esse ritmo originalmente negro, dançante e fantástico que é o Rock and Roll. Branco, se você hoje é roqueiro, agradeça aos meus antepassados, blz?

Tá pensando, então, que vou colocar Beatles pra tocar? Sonhe com isso à noite. A minha vertente hoje é a Psicodelia. Em alusão ao Treze de Julho, vamos de Jimi Hendrix, executando Like a Rolling Stone (do igualmente foda Bob Dylan). Let's Rock!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Álbum da Semana: Curtis Mayfield - Superfly

Alguém aí sabe o que é Blaxploitaition?

Segundo a Wikipedia,

Blaxploitation foi um movimento cinematográfico norte-americano no início da década de 1970. A palavra é um portmanteau de black e explotaition. Blaxplotaitaiton foram os primeiros filmes a usarem soul e funk em suas trilhas sonoras. Tinha como protagonistas atores negros e eram destinados especialmente para este tipo de público. Alguns dos principais artistas deste gênero foram Curtis Mayfield, Pam Grier, Isaac Hayes e James Brown.

Bom, e é exatamente da trilha sonora de um filme desse gênero que vou falar.

Superfly é um filme violento e polêmico que foi proibido pelo governo militar brasileiro, e estranhamente nunca foi exibido por aqui, sendo inédito ainda mesmo em vídeo. A trilha sonora de Curtis Mayfield é considerado seu melhor trabalho, ele produziu belas cancoes com influencia rítmica da música de James Brown juntamente com o sentimento melódico de Marvin Gaye. 

Quando fiquei sabendo da trilha desse filme, resolvi baixar. Isso foi sexta-feira. E essa seção do blog é para álbuns que já ouço há mais tempo, não para "novidades" como essa. Mas creio que essa é uma exceção muito bem justificada.

Baixem o disco e vocês vão entender o que quero dizer. É de cair os queixos e de emudecer os ouvidos.

ATENÇÃO: ESTE DISCO PODE CAUSAR VÍCIO IRREVERSÍVEL.

domingo, 27 de junho de 2010

É dia 27

Último domingo de junho em 2010, dia 27 chegou. E, com ele, a celebração de mais uma idade completada.

Muitos ficam me cobrando pela festa, pelas saídas aos butecos... Digamos que não sou de festa sempre. Gosto de celebrar, é diferente de comemorar.

Mas é nessa época, depois do Natal, que eu costumo ficar mais mal humorado. Não sei o porquê, deve haver alguma relação direta ou com a aproximação da data ou com a aproximação do frio. Gosto de frio mais que de calor, mas ele tem o defeito de deprimir as pessoas.

Celebrando, agradeço ao Deus que por nós zela (muito mais que qualquer Grande Irmão) por mais essa data. Trancos, barrancos e tropeços são sempre bem-vindos para dar uma aumentada na nossa atenção para conosco e com os outros. E pensar que no ano passado a barra tava é pesada... Mas passou, enfim.

Há dois anos, postava eu o "I have a dream" de Luther King. Almejo hoje coisas que não estão mais no nível do sonho. Está amorfo, entre realidade  estado alfa. É vontade de mudar, de dar guinadas, mas que não posso fazê-las pelo meu medo inerente do fracasso. Mas isso é letra para outra música.

Falando em música, não posso deixar de celebrar com algumas músicas que me são muito caras à vida. Uma delas, "Cotidiano", do Catedral.

Há exatos seis anos, quando completava 18, ganhava um CD acústico do Catedral. Era exatamente um domingo, e eu estava com amigos, participando da equipe de um retiro. Até hoje, escuto esse disco com o mesmo (ou quase mesmo) amor de quando o recebi em 2004. Mais especificamente por "Cotidiano", letra com a qual me identifico deveras.

Mais do que uma música, essa canção se tornou uma oração para mim. Nos momentos de devoção, procura e até mesmo raiva e angústia... ah... Ela dá aquela pequena pressão que te alivia. E que te dá vontade imensa de chorar.

"O meu desejo é intenso demais pra falar
Mas hoje eu grito e o que acredito eu vou levar"


E, claro, para celebrar, eu digo que não vou parar enquanto não conseguir o suficiente. MJ is alive!



A todos que, como eu e Guimarães Rosa, nascemos em 27 de junho, felicidades.

domingo, 13 de junho de 2010

Álbum da Semana: Miguel de Deus - Black Soul Brothers (1977)

Assim é a descrição de Miguel de Deus na internet, contando um pouco do seu histórico musical:


Miguel de Deus foi um dos músicos mais versáteis dos anos 70, e ao mesmo tempo menos conhecido do grande público. Miguel nasceu em Ilhéus, na Bahia. Já morando no Rio de Janeiro em meados de 1969, formou a banda “Os Brazões” que explorava as influências africanas na música e na maneira de vestir e dançar. A banda fazia uma mistura de rock e psicodelia com elementos da música brasileira e africana e chegou a acompanhar Gal Costa em uma de suas turnês no final dos anos 60. Em 1974, Miguel de Deus criou a banda “Assim Assado”, muito bem “inspirado” no grupo Secos e Molhados.

Em 1977, Miguel de Deus criou talvez o LP mais obscuro da black music setentista brasileira, o disco: “Black Soul Brothers”. Convidado pela gravadora Copacabana para registrá-lo, o disco é exercício glorioso do movimento black brasileiro. Ilustrado por um poderoso cabelo black power na capa, Miguel registrava naquele momento a sua verdadeira faceta, essa que esteve presente sempre em todas as fases musicais que desfrutou. Envolto no mais puro clima de festa, Miguel de Deus gravou Black Soul Brother exatamente como quem fazia parte da música pela festa, e não o contrário.


Bem... Minha experiência com esse cantor é algo muito digno para mim.

Essa descrição aí de cima veio do blog Black Broder, dos bróderes do Black Sonora - banda de BH que é uma das minhas favoritas no circuito local. Fiquei curioso ao ler o post acima. Baixo ou não baixo? Escuto ou não? Experiência sem volta.

Indubitavelmente, o álbum "Black Soul Brothers" foi o álbum do ano de 2009 para mim. Não de lançamentos, de novidades - nessa categoria entra o "Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos", do Otto. Mas eu falo desse em outra ocasião -, mas de descobertas. Adepto da banda larga somente em março de 2010, tive que baixar o disco em outro computador que não o de casa para poder saciar a minha curiosidade. E não me arrependo.

"Black Soul Brothers" é uma viagem sem volta. Assim como você não regride na evolução, eu me senti impulsionado a descobrir mais esse cabra. Baixei o "Os Brazões", no seu tropicalismo ao extremo. Agradei logo de cara, por ser uma coisa leve, tropical - faltava só o abacaxi do lado, num pratinho, coberto de açúcar, para servir de petisco enquanto se ouve o disco. Mas aí veio o "Assim Assado".

"Disco denso esse", pensei, quando coloquei no player para rodar. Não consegui gostar de cara. Era muito difícil a digestão - era como comer uma feijoada completa em um dia ensolarado na praia. Ou seja, não desceu de cara. Mas como todo prato pesado tem a sua época para comer, esperei um pouco e fui degustando aos poucos. "Assim Assado" foi o momento mais... Sem palavras de Miguel de Deus.

Donde cabe dizer que "Black Soul Brothers" é uma viagem sem volta porque:

1. o álbum é deliciosamente dançante: é um soul misturado com pitadas de psicodelia e arranjos instrumentais incríveis. "Cinco Anos", a 1ª faixa, resume-se a um parágrafo com quatro versos, mas é impossível você ligar para isso com um naipe de metais indecente como aquele e uma linha de baixo feroz - linha tal que me lembrou a igualmente foda "Amor", de Secos & Molhados;

2. Miguel de Deus é a virtuose em si. Quem considera que conhece tudo de música, favor considerar o Miguel porque ele é louco nas suas viagens musicais. Não há como você ser o mesmo depois de ouvi-lo. Estranho isso, mas é o que ocorreu comigo;

3. é uma grande referência para quem gosta de Soul. Porque é feito de um jeito igual no modo mesmo de se fazer Soul, mas diferente na prosódia, na acentuação rítmica. É mais inquietante que um James Brown ou um Jacksons Five, por exemplo;

4. por último e não menos importante, o cara é um completo obscuro! Não se conhece Miguel de Deus como deveria - não falo em torná-lo Deus, mas falo de um processo de resgate, como feito com o excelente Tim Maia Racional (além do "Uh! Uh! Uh!, que beleza" tem mais viagens nessa história). Um trabalho que seria gratificante aos amantes de música black e ao próprio Miguel de Deus, caso esteja vivo (o cara é tão obscuro e pouco famoso que eu nem mesmo sei se ele tá vivo ainda!).

Enfim, vale dar uma ouvida nessa fábrica de mistérios. Clique aqui para o sol entrar e pegar você desprevenido.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Assim caminha a nossa cidade

Não, eu não consigo me conformar. Podem falar o que quiser. Mas eu não me conformo. Vou contar uma história.

Acreditem se quiser, mas eu, com 23 anos de idade, nunca tinha saído de Minas Gerais. Nunca, pelo menos nesta encarnação. O mais longe de Belo Horizonte que já fui é Poços de Cadas, região sul, a 8 horas (ou mais) da capital. Fui por conta de um festival de corais, em novembro de 2005, em comemoração ao aniversário da cidade.

Por conta das minhas questões financeiras, nunca pude viajar como eu quis. Amigos meus visitavam o Hopi Hari, o Rio, Salvador. Eu me contentava com Ribeirão das Neves, Nova Lima e, quando mais distante, Lavras - minha segunda cidade. Quase fui a Trindade (RJ), próximo de Paraty, em 2007; mas não se concretizou a minha ida.

Mas comecei a juntar uma grana por conta dos meus trabalhos, bicos e afins. E botei na cabeça de fazer um passeio por mês. Seja perto, seja longe. Chega março de 2010 e eu fico sabendo da Virada Cultural de São Paulo. Botei na cabeça que viajaria e assim fiz. Arranjei um esquema de excursão cuja passagem - ida e volta - me custou a bagatela de R$ 80,00. (Obrigado, Melzim Corp.!) E dois dos meus amigos ainda ofereceram a sua humilde residência, em Pinheiros. E, claro, me explicaram como fazia para chegar. Avisando que eu ia descer na Praça da República, ele me disse o seguinte:

- Você vai até o Metrô República e pega o Linha Vermelha sentido Corinthians-Itaquera, e desce na Sé; na Sé, você faz baldeação: desce e vai pegar o Linha Azul, sentido Jabaquara, e desce na Paraíso; na Paraíso, você faz outra baldeação e pega o Linha Verde sentido Vila Madalena. Aí, você desce na Clínicas...

Clínicas era o "ponto final". Eu ainda tinha que descer 11 quarteirões da Teodoro Sampaio em seguida.

Eram 15 de maio quando desembarquei na República. E uma sensação diferente me invadiu - de não estar mais em Minas, de ter podido sair do estado, de ter conhecido algo além das montanhas alterosas. Não era meramente visual (a cidade é realmente cinza, frenética e poluída), mas chegava a ser espiritual.


Pois bem, eu e minha companhia de viagem descemos e resolvemos comer algo. Mas, antes, passamos na 25 de Março. O inferno na Terra, mesmo. Topamos com o Mercado Municipal e resolvemos bater um lanche. Nada muito caro, só um pastel e um refresco que custaram R$ 7,50. Só isso.

Abastecidos, subimos ao metrô São Bento, perto da 25, rumo a Pinheiros. E impressionado fiquei com a quantidade de gente que tem naquele transporte. Entramos - era já o trem da Linha Azul, e fomos direto a Paraíso. Ao que descemos nesta estação para baldear, piso a plataforma e o Linha Verde já aparece para mim. Cronometrado milimetricamente. "Caralho! Não deu nem pra descansar a mochila!" Eu e minha amiga ficamos bestas. Não só com a sincronia mas também com o pouco tempo entre as estações: se for 1 minuto é muito. Eu me sentia aquele cara do interior pela primeira vez na cidade grande. Beagá não é nada perto do que vi - o próprio centro de São Paulo é uma coisa desproporcional.

Quando fui a Sampa, me impressionei bastante com a Galeria do Rock, com a Paulista, com a Augusta, o Largo do Arouche, a Rego Barros, a Praça Roosevelt, o Largo de Santa Ifigênia, o Viaduto do Chá, o Vale do Anhangabaú, a própria República, a 25 de Março, o Mercado Municipal... Me impressionei com tudo isso, mas me choquei mesmo foi com o metrô.



Em BH, segundo o site do MetrôBH, 144 mil usuários/dia é a taxa de uso da única linha de metrô da cidade. Sendo que somente a capital tem por volta de 2.400.000 habitantes, o nosso trem atende a seis por cento de toda a cidade. Já em São Paulo... São 2,4 milhões (toda a BH) usando o metrô por dia. Estimando-se a população em 15 milhões, digamos que o metrô da maior cidade do Brasil e suas quatro (em breve cinco) linhas atende a... dezesseis por cento da cidade! (Isso sem contar os trens da Companhia Paulista de Trens Urbanos - a CPTM, que opera o que aqui chamamos "metrô".)

A comparação de números aqui só a faço para uma coisa: em BH, estamos caminhando em um perigoso círculo vicioso se uma medida drástica não for feita (leia-se expansão da linha 1 para o Aeroporto e para Betim e planejamento de pelo menos mais duas linhas subterrâneas - por que tem-se tanto medo de se fazer túnel aqui?). O metrô é, por enquanto, uma das melhores saídas para desafogar o tráfego urbano.

E como estamos hoje? Vamos lá.

O nosso transporte é dependente de ônibus, e quem os gerencia é a BHTrans. De três anos para cá, ela tem diminuído a quantidade de viagens dos coletivos urbanos (só dar uma olhada nos quadros de horários: o espaço entre as partidas tem aumentado). Sendo que a população é tendente a aumentar, aumentando-se o espaço entre as viagens aumenta-se a lotação. As pessoas andam cada vez mais desconfortáveis, e muitas delas têm que esperar o próximo no ponto de tão cheio que os coletivos passam. E esse descontentamento é que dá o start para o aumento de carros na cidade - já estamos na proporção de 1 carro para 2 habitantes, e pior: ninguém dá carona. Aumentam os carros, diminuem-se os ônibus, lotam-se os coletivos, engarrafa-se o trânsito... E assim vai, numa espiral que ocasionará o caos completo em 2014, se nada for feito. Precisa esperar muito não: ontem, do Santo Antônio até a Pampulha, via Pedro II/Catalão, num trajeto que demora 55 minutos, gastei 1 hora e 45 minutos. E não tinha acidente nem jogo no Mineirão: era trânsito mesmo...

Enfim... São Paulo é solução? Lógico que não. Mas claro que serve de inspiração. Acho que vou encomendar uns carvões de lá para alimentar nossa máquina a vapor Eldorado-Vilarinho.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Tristeza nas Gerais

Eu estou profundamente triste com o quadro eleitoral em Minas desde 2008. De lá para cá, tenho tentado acompanhar mais de perto essas questões, escrevendo no meu universo paralelo chamado Pedreira na Vidraça, blog compartilhado com mais três amigos. E eu tenho dois motivos para a tristeza; um deles é o atual prefeito, o outro é um provável governador. Respectivamente, Márcio Lacerda e Hélio Costa.

Me dá um tristeza de ver uma terra de gente tão decente ter que engolir goela abaixo essa gente imunda, suja e nefasta. Um é padrinho de Aécio Neves, outra figura duvidosa por aqui - uma das dúvidas é se ele é mineiro ou carioca. Outro é "cumpadre" das Organizações Globo, a Fox tupiniquim.

Me dá nojo. Eu, que já desejei a política como uma carreira para aumentar a minha área de abrangência do bem que pratico (pois tudo é vai-e-volta), quero ter mais distância disso tudo. Mas ao mesmo tempo quero estar perto por me sentir impotente e querer reverter essa situação. Síndrome de Poliana, eu sei.

E me dá mais repulsa ainda ver alguns colegas, pessoas que eu vi amadurecer na vida adolescente do Colégio, se envolverem de forma tão... mesquinha. Tão falsa. Tão aviltante. Tão... Tão anti aquilo que o Colégio prega. Mas cada um segue o seu destino, não é?

Político é, hoje em dia, um cafajeste enrustido. Se fosse abertamente cafajeste (como Severino Cavalcanti ou Paulo Salim Maluf), eu seria mais simpático. Prefiro a sinceridade do cafajeste ao sorriso falso do ladrão de bicicletas. Se for para ser ladrão, que não me roube pelas costas, mas que exerça a ladroagem sincera, honesta, à minha vista. Prefiro isso a ter que aturar discursos pré-fabricados de "Minas Avança". Sério, Aécio, vai conhecer o metrô de Sampa antes de falar tal asneira.

"Sou pobre, porém honrado." (Seu Madruga)

Um dia, quiçá, isso tudo vai mudar.


Música da vez: de Noel Rosa, "Onde está a honestidade?".

domingo, 6 de junho de 2010

Álbum da Semana: Trio Mocotó - Trio Mocotó (1975)

Um dos motivos de eu ter retornado a escrever foi o conforto de falar das coisas de que gosto: política, música, filmes, livros, de mim mesmo. Enfim, para inaugurar o comentário 2010 sobre músicas/álbuns que escutei, vamos começar com o Trio Mocotó.



Trio Mocotó é uma banda de samba-rock, ritmo brasileiro.

O Trio Mocotó foi formado em 1968 na Boate Jogral, onde Fritz "Escovão", João "Parahyba" e Nereu Gargalo trabalhavam. Na época, a boate paulistana era o grande ponto de encontro da música brasileira e os três contratados da casa acompanhavam diariamente nomes como Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Cartola, Paulo Vanzolini, Manezinho da Flauta, além das históricas "canjas" com artistas brasileiros e outros ilustres visitantes como Duke Ellington, Oscar Peterson, Earl Hines.

Uma dessas canjas começou a se tornar frequente: Jorge Ben no violão, Fritz na cuíca, Nereu no pandeiro e Joãozinho com sua mistura de timba e bateria. Nessa época Jorge Ben estava morando em São Paulo e estava sem gravadora. A batida que nasceu desse encontro se transformou em marca registrada e levou Jorge Ben e o trio definitivamente ao estrelato. E foi essa batida que deu origem ao samba-rock. No próprio Jogral, Jorge e o trio assinaram com a Philips para a gravação de seu novo disco. O trio acompanhou Jorge em praticamente todas as faixas incluindo Que Pena, Domingas, Take It Easy My Brother Charles e País Tropical.


Eu conheci o Trio Mocotó por meio de um vinil de coletânea de samba que tem aqui em casa, chamado Samba Sambão, de 1975. Nesse disco, há algumas faixas desconhecidas - mas que adoro, como "Quando o Surdo Faz Bum", de Beto Scala, "O Patrão Mandou", de Paulinho Soares, e por aí vai. Nesse vinil, a música que representava o Trio Mocotó era "Xuxu Melão". Hoje, eu tenho certeza de que, do álbum citado, "Xuxu Melão" é uma das piores faixas do disco. Sendo que a música ainda é excelente.

O disco começa com "Não Adianta". Um samba meio dor de cotovelo cantado em coro, uma coisa meio esquisita para mim. Cantar samba em coro? E detalhe: começa com uma espécie de piano... Mas acabou que gostei do que ouvi. Achei bacana, interessante, diferente - ainda mais por serem paulistas fazendo samba, coisa diferente de se ver.

O disco segue, com várias faixas animadas como "O Meu Violão", "Toda Tarde", "Sossega Malandro" e outras. Todas muito bem trabalhadas e construídas para o samba. E eu que pensava que o Trio fosse algo menos... Menos elaborado. Não, dependendo da faixa rola até violino. Creia.

No geral, um álbum bacana a ser baixado e ouvido. Trio Mocotó é uma banda que, pelo menos para mim, tem importância na música brasileira. Gostei pra caramba - tá, tem algumas coisas com as quais me decepcionei, como a duração das músicas (que, dependendo, é maior que o necessário) e com a quantidade de repetições por causa dessa duração das músicas ("Não adianta" ficaria bem melhor em 2 minutos e meio. Mas tudio bem.).

Mais info no myspace dos caras.




domingo, 16 de agosto de 2009

E o país sem racismo, CADÊ?

Homem negro espancado, suspeito de roubar o próprio carro

Por Notícia da agência Afropress em 14/08/2009 às 12:40


Tomado por suspeito de um crime impossível - o roubo do seu próprio carro, um EcoSport da Ford - o funcionário da USP, Januário Alves de Santana, 39 anos, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cerca de cinco seguranças do Hipermercado Carrefour, numa salinha próxima à entrada da loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras.

A direção do Supermercado, questionada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, afirma que tudo não passou de uma briga entre clientes.

O caso aconteceu na última sexta-feira (07/08) e está registrado no 5º DP de Osasco. O Boletim de Ocorrência - 4590 - assinado pelo delegado de plantão Arlindo Rodrigues Cardoso, porém, não revela tudo o que aconteceu entre as 22h22 de sexta e as 02h34 de sábado, quando Santana - um baiano há 10 anos em São Paulo e que trabalha como Segurança na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, há oito anos - chegou a Delegacia, depois de ser atendido no Hospital Universitário da USP com o rosto bastante machucado, os dentes quebrados.

Ainda com fortes dores de cabeça e no ouvido e sangrando pelo nariz, ele procurou a Afropress, junto com a mulher - a também funcionária do Museu de Arte Contemporânea da USP, Maria dos Remédios do Nascimento Santana, 41 anos - para falar sobre as cenas de terror e medo queviveu. "Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus".

Santana disse pode reconhecer os agressores e também pelo menos um dos policiais militares que atendeu a ocorrência - um PM de sobrenome Pina. "Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa, que não tem problema", teria comentado Pina, assim que chegou para atender a ocorrência, quando Santana relatou que estava sendo vítima de um mal entendido.

Depois de colocar em dúvida a sua versão de que era o dono do próprio carro, a Polícia o deixou no estacionamento com a família sem prestar socorro, recomendando que, se quisesse, procurasse a Delegacia para prestar queixa.


Terror e medo

"Cheguei, estacionei e, como minha filha de dois anos, dormia no banco de trás, combinei com minha mulher, minha irmã e cunhado, que ficaria enquanto eles faziam compra. Logo em seguida notei movimentação estranha, e vi dois homens saindo depressa, enquanto o alarme de umamoto disparava, e o dono chegava, preocupado. Cheguei a comentar com ele: "acho que queriam levar sua moto". Dito isso, continuei, mas já fora do carro, porque notei movimentação estranha de vários homens, que passaram a rodear, alguns com moto. Achei que eram bandidos quequeriam levar a moto de qualquer jeito e passei a prestar a atenção", relata.

À certa altura, um desses homens - que depois viria a identificar como segurança - se aproximou e sacou a arma. Foi o instinto e o treinamento de segurança, acrescenta, que o fez se proteger atrás de uma pilastra para não ser atingido e, em seguida, sair correndo em zigue-zague, já dentro do supermercado. "Eu não sabia, se era Polícia ou um bandido querendo me acertar", contou.

Os dois entraram em luta corporal, enquanto as pessoas assustadas buscavam a saída. "Na minha mente, falei: meu Deus. Vou morrer agora. Eu vi essa cena várias vezes. E pedia a Deus que ele gritasse Polícia ou dissesse é um assalto. Ele não desistia de me perseguir. Nós caímos no chão, ele com um revólver cano longo. Meu medo era perder a mão dele e ele me acertar.

Enquanto isso, a mulher, a irmã, Luzia, o cunhado José Carlos, e o filho Samuel de cinco anos, faziam compras sem nada saber. "Diziam que era uma assalto", acrescenta Maria dos Remédios.

Segundo Januário, enquanto estava caído, tentando evitar que o homem ficasse em condições de acertar sua cabeça, viu que pessoas se aproximavam. "Eu podia ver os pés de várias pessoas enquanto estava no chão. É a segurança do Carrefour, alguém gritou. Eu falei: Graças a Deus, estou salvo. Tô em casa, graças a Deus. Foi então que um pisou na minha cabeça, e já foi me batendo com um soco. Eu dizia: houve um mal entendido. Eu também sou segurança. Disseram: vamos ali no quartinho prá esclarecer. Pegaram um rádio de comunicação e deram com força na minha cabeça. Assim que entrei um deles falou: estava roubando o EcoSport e puxando moto, né? Começou aí a sessão de tortura, com cabeçadas, coronhadas e testadas", continuou.


Sessão de torturas

"A sessão de torturas demorou de 15 a 20 minutos. Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus, Jesus. Sangrava muito. Toda vez que falava "Meu Deus", ouvia de um deles. Cala a boca seu neguinho. Se não calar a boca eu vou te quebrar todo. Eles iam me matar de
porrada", conta.

Santana disse que eram cerca de cinco homens que se revezavam na sessão de pancadaria. "Teve um dos murros que a prótese ficou em pedaços. Eu tentava conversar. Minha criança está no carro. Minha esposa está fazendo compras, não adiantava, porque eles continuaram batendo. Não desmaiei, mas deu tontura várias vezes. Eu queria sentar, mas eles não deixavam e não paravam de bater de todo jeito".

A certa altura Januário disse ter ouvido alguém anunciar: a Polícia chegou, sendo informada de que o caso era de um negro que tentava roubar um EcoSport. "Eles disseram que eu estava roubando o meu carro. E eu dizia: o carro é meu. Deram risada."


A Polícia e o suspeito padrão

A chegada da viatura com três policiais fez cessar os espancamentos, porém, não as humilhações. "Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema", comentou um dos policiais militares, enquanto os seguranças desapareciam.

O policial não deu crédito a informação e fez um teste: "Qual é o primeiro procedimento do segurança?". Tonto, Januário, Santana disse ter respondido: "o primeiro procedimento é proteger a própria vida para poder proteger a vida de terceiros".

Foi depois disso que conseguiu que fosse levado pelos policiais até o carro e encontrou a filha Ester, de dois anos, ainda dormindo e a mulher, a irmã e o filho, atraídos pela confusão e pelos boatos de que a loja estava sendo assaltada. "Acho que pela dor, ele se deitou no chão. Estava muito machucado, isso tudo na frente do meu filho", conta Maria dos Remédios.


Sem socorro

Depois de conferirem a documentação do carro, que está em nome dela, os policiais deixaram o supermercado. "Daqui a pouco vem o PS do Carrefour. Depois se quiserem deem queixa e processem o Carrefour", disse o soldado.

Em choque e sentindo muitas dores, o funcionário da USP conseguiu se levantar e dirigir até o Hospital Universitário onde chegou com cortes profundos na boca e no nariz. "Estou sangrando até hoje. Quando bate frio, dói. Tenho medo de ficar com seqüelas", afirmou.

A mulher disse que o EcoSport, que está sendo pago em 72 parcelas de R$ 789,00, vem sendo fonte de problemas para a família desde que foi comprado há dois anos. "Toda vez que ele sai a Polícia vem atrás de mim. Esse carro é seu? Até no serviço a Polícia já me abordaram. Meu Deus, é porque ele é preto que não pode ter um carro EcoSport?", se pergunta.

Ainda desorientado, Santana disse que tem medo. "Eu estou com vários traumas. Se tem alguém atrás de mim, eu paro. Como se estivesse sendo perseguido. Durante a noite toda a hora acordo com pesadelo. Como é que não fazem com pessoas que fizeram alguma coisa. Acho que eles matam a pessoa batendo", concluiu.

Fonte: Centro de Mídia Independente




Prefiro não comentar. Meu sangue já tá talhado o bastante para isso.

sábado, 15 de agosto de 2009

Vereadores de BH barram projeto de transparência

Os vereadores de Belo Horizonte fizeram uma manobra para não aprovar o projeto de lei que previa a divulgação da prestação de contas da câmara municipal na internet. O projeto precisava de 21 votos para ser aprovado, mas só teve 16 votos a favor e 8 abstenções. o resto dos vereadores não foram a sessão para evitar aprovação sem queimar seu filme votando
contra.

Abaixo está a lista dos vereadores que não foram a sessão para evitar a aprovação e os que se absteram e também os que foram favoravéis. Por favor, propaguem esses nomes para sabermos em quem devemos

ABSTENÇÕES
Edinho do Açougue (PTdoB)
Gêra Ornelas (PSB)
Gunda (PSL)
Geraldo Félix (PMDB)
Moamed Rachid (PDT)
Paulinho Motorista (PSL)
Preto (DEM)
Wellington Magalhães (PMN)

AUSENTES
Luzia Ferreira (PPS)
Neusinha Santos (PT)
Carlos Henrique (PR)
Autair Gomes (PSC)
Alexandre Gomes (PSB)
Anselmo Domingos (PTC)
Henrique Braga (PSDB)
Leonardo Mattos (PV)
Bispo Chambarelle (PRB)
Elaine Matozinhos (PDT)
Luis Tibé (PTdoB)
Cabo Júlio (PMDB)
Divino Pereira (PMN)
Maria Lucia Scarpelli (PCdoB)
Leo Burguês (PSDB)
Hugo Thomé (PMN)
Adriano Ventura (PT)

FAVORÁVEIS
Alberto Rodrigues (PV)
Arnaldo Godoy (PT)
Bruno Miranda (PDT)
Fred Costa (PHS)
Iran Barbosa (PMDB)
João Locadora (PT)
João Oscar (PRP)
João Vitor Xavier (PRP)
Pablito (PTC)
Paulo Lamac (PT)
Pricila Teixeira (PTB)
Elias Murad (PSDB)
Preto do Sacolão (PMDB)
Ronaldo Gontijo (PPS)
Sergio Fernando (PHS)
Silvinho Rezende (PT)

Aos que votaram a favor, não fizeram mais do que a obrigação. Aos que se abstiveram, uma salva de vaias.


Mais info aqui.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dica musical da semana: Curumin


Nascido em São Paulo no ano de 1976, descendente de japoneses e espanhóis, Luciano Nakata Albuquerque ganhou logo cedo o apelido de Curumin. Iniciou sua carreira musical por volta dos oito anos de idade quando formou sua primeira banda com colegas de escola, tocando panelas em substituição à bateria. Aos quatorze anos já tocava bateria e percussão em casas noturnas de São Paulo e aos dezesseis anos aprendeu sozinho a tocar teclado.

Como baterista, Curumin acompanhou grandes nomes da MPB, como Paula Lima (de 1997 à 2002), Arnaldo Antunes (de 1999 à 2005), Vanessa da Matta (2006) e CéU (2007), entre outros. Ainda na década de 1990 tocou com a Banda Toca ao lado do guitarrista e produtor Gustavo Lenza, com quem veio à produzir seus dois primeiros discos.

Em 2003 Curumin inicia sua carreira solo com o lançamento de seu primeiro disco entitulado “Achados e Perdidos” pelo selo YB Music no Brasil. Em 2005 este CD é lançado no mercado norte-americano pelo selo californiano Quannum Projects. Em 2008 Curumin lança seu segundo trabalho de estúdio - “JapanPopShow”, lançado simultaneamente no Brasil, pela YB Music, nos EUA pela Quannum Projects e no Japão pela JVC / Victor Entertainment.

“Um dos mais espertos jovens músicos de São Paulo, Curumin é um mestre tanto no funk americano quanto no brasileiro.”
Ben Ratcliff - The New York Times

Fonte: Urban Jungle


Eu conheci o Curumin ouvindo a Rádio UFMG Educativa, enquanto eu trabalhava na produção (entre fevereiro e julho de 2009). Sentia um suingue diferente, uma coisa nova, uma renovação musical que se confirmava, de certa forma.

Baixei os dois discos, o "Achados e Perdidos" e o "JapanPopShow". Vale a pena: em cada um, tem uma coisa que gosto.




Para dar um pequeno gosto, Curumin - Vem Menina (álbum Achados e Perdidos)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Jornalismo é uma "caixinha" de surpresas

Ei, amigos!

Andei pensando sobre o motivo de muita gente fazer Jornalismo. Uns por ter o rostinho bonito, outros pela vocação e outros... Por uma iluminação divina! É, isso mesmo.

Observem essa fabulosa entrevista de uma (fabulosa...) estudante:


Veja - Estudar Jornalismo a ajudará na carreira?
Daniela -
Claro. Eu fazia Direito. Desisti e pensei em entrar em Veterinária, porque amo animais. Também quis estudar Teatro. Acho legal cinema, ser atriz. Só que cineasta é só para quando for mais velha, com 30, 40 anos.

Veja - Mas como você foi parar no Jornalismo?
Daniela -
Eu estava tomando Toddynho no café-da-manhã. Na embalagem, tinha um negócio que explicava as profissões na linguagem de uma criança. O dessa era Jornalismo. Li e falei: "Caramba. É isso que tenho que fazer". Tem tudo a ver com ser modelo.

Fotolegenda: Daniela: descobriu sua vocação em um Toddynho


Como diria Zé Simão, é mole, mas sobe. Ou como diria o outro, é duro mas desce!

Ai, meu rins...

Graças ao PQN e ao Pérolas da Assessoria

Faz-me rir

Sabem... Andei pensando um pouco sobre uma discussão que há muito assombra o imaginário televisivo brasileiro: a questão do humor e suas variações.

Meu primeiro programa de humor favorito (desses que eu assistia todos os episódios) foi – e é até hoje – o Chaves, do SBT. Um humor que fazia você rir sem querer querendo. Bobo, fraco para alguns, mas que ainda conquista fãs e admiradores - seus personagens são fonte de inspiração para muitos de nós. Seu Madruga mesmo, que inclusive é nome de banda aqui em BH.

Com o tempo caminhando, fui tomando gosto pelo Casseta e Planeta (que hoje está mais fraco que barbante puído por cupim), pela A Praça É Nossa (laiá laiá...) e pelo Zorra Total. Você pode exclamar até um CREDO! por causa deste último. Mas isso é coisa de guri de 12 ou 13 anos.

Em 2003 ou 2005 (se não me falha a memória), comecei a assistir o Pânico. Já ouvia falar dos caras, de vez em quando punha na Jovem Pan pra ouvir, mas nunca tinha tido oportunidade para assistir o Pânico na TV por um simples motivo: eu frequentava o Protestantismo na época, e os cultos eram no mesmo horário do programa – 19 horas. Teve também um motivo pessoal para que eu não acompanhasse o programa desde o início: o receio do que meus pais poderiam pensar de eu ver um programa “ao nível do” Pânico. Imaginações e confabulações de um pobre menor com seus 16 ou 17 anos. Hoje, minha mãe é fã dos caras.

Comecei a ver o Pânico por causa, além da curiosidade inerente a mim, por causa da polêmica com o Vitor Fasano. (Mais info aqui.) Fiquei sabendo do acontecido via uma rádio daqui de Belo Horizonte, e fiquei na pilha para ver se, no domingo seguinte, eu veria cenas do murro do “ator” no Vesgo. Que o Fasano não tenha gostado da piada, isso é uma coisa – agredir é outra completamente diferente, né não, Netinho de Paula? E ali vi o nível das piadas. O nível que me atendia, que me satisfazia, que há muito tempo eu não via na televisão (a última tentativa ousada até então foi o Marcos Mion comandando o “Descontrole” na BAND; saudades do MONTINHÔÔÔÔ!) e que eu sentia falta. O padrão global da Zorra já era muito aquém pro meu gosto de humor.

E o Pânico me conquistava à medida que o tempo avançava. Recentemente, perdeu dois dos seus melhores integrantes (o Gluglu e o Mendigo, o Vinícius e o Carlinhos) para a emissora do Edir Macedo. Pensei que o programa poderia perder seu propósito, sua meta; mas qual foi a surpresa com a manutenção do padrão mesmo com a saída dos dois... Tio Emílio Zurita não ficou na mão – sem trocadilhos.

Só que, em 17 de março de 2008, estreava na Rede Bandeirantes uma nova atração. O “Caiga Quien Caiga”, um dos programas de grande sucesso da Argentina, chegava en tierras brasileñas sob o comando do adorado e temido Professor Tibúrcio, vulgo Marcelo Tas. (Vai me dizer que, à época de Rá-Tim-Bum, você não tinha medo daquela personagem gorda que aparecia do nada num cenário vazio e ainda dizia, medonhamente: “Olááá, crianças!”; mas era tão medonho que era divertido!) O CQC chegava, e eu me fascinava com aquele novo tipo de humor, jornalisticamente incorreto para alguns.

Sim, era um programa de jornalismo (é, diga-se de passagem) com toques de humor, ironia e sarcasmo. Quem que não se delicia ao ver o repórter inexperiente Danilo Gentili entrevistando Gretchen, Marcelinho Carioca ou (a minha entrevista favorita) o Padre Marcelo Rossi? O que dizer então da magnífica forma com a qual Rafinha Bastos conduz o Proteste Já? Eu acredito que muito jornalista gostaria de fazer do jeito que ele faz – porque tem hora que nós, jornalistas (ou cozinheiros, "cê ki sabe"), ficamos com o sapo entalado na garganta e não podemos fazer questionamentos mais profundos seja por questão de tempo da matéria, seja pelo direcionamento editorial da empresa na qual se trabalha. O humor estava conjugado com o jornalismo.

No ano passado, não assisti a apenas cinco de todos os CQCs que tivemos ano passado – tal era a minha vontade de ver e aprender mais com os caras. Só que, na faculdade onde estudei, a minha querida Universidade Federal de Minas Gerais (a UFMG), uma polêmica vinha à tona: o que é mais legal, CQC ou Pânico? Eu tinha um pouco de preguiça desse tipo de conversa – até pelo fato de o CQC ser mais universitariamente aceito e correto porque é o Tas no comando. E o Pânico é taxado como de humor inferior, de mau gosto etc.

Não faço aqui uma defesa do Pânico diante o CQC; o que quero dizer é que ambos os programas são deveras importantes para mim; justamente o fato de um não ter nada a ver com o outro. São dois humores distintos, cada um com o seu defeito. O Pânico bem que podia pegar um pouco mais leve, não exagerar em algumas atitudes (como o “Dicas com Marcos Chiesa”; coitado do Bola...); assim como o “Custe o Que Custar” precisa ser menos “Ponte Aérea Rio-São Paulo-Brasília” e tentar ver que existe um Brasil além dessas três cidades e estados. É, admito, a minha maior chateação com o CQC: o bairrismo.

Humores são humores, ironias também. Se na universidade o CQC é o “tchuki tchuki” dos estudantes e o Pânico é a ralé, essa comparação não deveria nem existir. Um pode aprender com o outro: o Pânico pode aprender a não ser muito escrachado demais e pegar na ironia e no sarcasmo moleque do CQC; e os homens de preto bem que poderiam absorver um pouco do Pânico para sempre se reformularem e nunca ficarem presos a um formato somente. Se não houver reciclagem nem de um e nem de outro, não há quem aguente. Televisão é igual sexo: quem não dá audiência perde para a concorrência.

E, se for para ter sempre mais do mesmo, eu fico com o Chaves – que, creio eu, é o tipo de humor que jamais se desgasta; os episódios se repetem, mas estamos nós lá, vidrados na telinha e sempre assistindo à ida da turma da vila a Acapulco. Não contavam com a astúcia do Bolaños!

domingo, 19 de julho de 2009

Boaventura de Sousa Santos em Belo Horizonte: 04 de agosto

Segue abaixo o que acabo de receber. Repassem adiante!


O Sinpro Minas - Sindicato dos Professores de Minas Gerais - e o Centro de Estudos Sociais América Latina vão promover, no dia 4 de agosto, às 19 horas, no Minascentro, uma conferência com o sociólogo Boaventura Sousa Santos, da Universidade de Coimbra.

A temática será: Epistemologias do Sul - O papel dos Movimentos Sociais na Produção de Saberes, título de sua recente obra que traz uma série de artigos que problematizam o monopólio do conhecimento na modernidade e aponta para a necessidade da democratização dos saberes. A entrada é franca.

Após a conferência haverá um debate, coordenado pelo professor da UFMG Leonardo Avritzer, com participação do presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis; da professora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Maria Paula Menezes e do coordenador nacional do MST, Wanderlei Martins.

O sociólogo e professor Boaventura Santos é conhecido mundialmente por uma vasta produção teórica e sua militância ao lado dos movimentos sociais. Durante a conferência, Boaventura vai compartilhar com os mineiros suas reflexões que desafiam o projeto epistemológico imperial moderno e apontam para a emergência necessária da epistemologia do Sul. Trata-se da recuperação de saberes e práticas de movimentos e grupos sociais durante séculos inviabilizados e subalternizados pelo capitalismo e o colonialismo, na maioria das vezes subvertidos e transformados pelos saberes dominantes.

Conferência:
“Epistemologias do Sul – O Papel dos Movimentos Sociais na Produção de Saberes”
Com o sociólogo Boaventura de Sousa Santos - Professor da Universidade de Coimbra

04 de agosto – Terça-feira - 19 horas
Minascentro - Teatro Granada
Rua Guajajaras, 785, Centro – BH

Coordenação: Prof. Leonardo Avritzer - DCP/UFMG - CESAL

Debatedores:
  • Prof.Gilson Reis – Presidente do Sinpro Minas e da CTB Minas
  • Profa.Maria Paula Menezes - Professora do Centro de Estudos Sociais –Universidade de Coimbra
  • Wanderlei Martins - Coordenador nacional do MST

Após o evento, o prof. Sousa Santos irá autografar seu novo livro "Epistemologias do Sul"

Realização: Sinpro Minas e Cesal

Apoio:

MST
Fórum Sindical Social
Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial
Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais
Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial


Entrada Franca

www.sinprominas.org.br

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Reproduzindo, agora, um texto do Boaventura publicado no Pedreira na Vidraça:


O IMPENSÁVEL ACONTECEU


O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição.

A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata: nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o controle direto de uma parte importante do sistema financeiro.

A medida não é inédita pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em 1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste caso, o papel central na resolução da crise coube ao grande banco de então, J.P. Morgan, hoje, Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande depressão que durou até à Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norteamericanos por dia perdiam as suas casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança).

O que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas, FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes; privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à correspondente produção de miséria social.

Foi com estas receitas que se "resolveram" as crises financeiras da América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de emigrar.

À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas
sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e, consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação. Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho neoliberal.

Muito continuará como dantes: o espiríto individualista, egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o emprego, a casa e a pensão.

Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países nas últimas décadas e a decisão "soberana" de se defender foi afinal induzida pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram com uma fuga que seria devastadora para o actual american way of life.

Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como as que o Congresso dos EUA acaba de aprovar para o setor automóvel).

Não estamos perante uma desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização pós-neoliberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de ter o mesmo destino dos EUA.

Terceiro, as políticas de privatização da segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção.

Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a nova centralidade das lutas nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes nacionais e transnacionais e as políticas de alianças.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Meu Morro, Meu Olhar

O projeto "Meu Morro, Meu Olhar" surgiu da vontade de mostrar às crianças do Programa Escola Integrada, moradoras do Aglomerado Santa Lúcia, outra forma de expressão artística, diferente das que elas já conheciam, como o desenho e a pintura. Para isso houve a necessidade de ensiná-las a reeducar o olhar em relação à comunidade onde funciona a Escola Municipal Ulysses Guimarães, localizada no bairro São Pedro, nas imediações do Aglomerado Santa Lúcia, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

A ideia de fazer o projeto surgiu de quando a professora bolsita do Programa Escola Integrada da Prefeitura de Belo Horizonte, Aline Guerra, descobriu que a escola dispunha de treze câmeras fotográficas analógicas novas. Esboçou o projeto, conversou com a coordenadora do Programa Escola Integrada na E. M. Ulysses Guimarães, Ana Paula Pego Fernandes, e então pensou que as crianças pudessem ter aulas de fotografia, com o foco nas artes plásticas, registrando sua comunidade e seu dia-a-dia.

Outra questão era reeducar o olhar das crianças, para que pudessem ver sua comunidade com outros olhos e para que fizessem um registro daquilo que lhes parecesse interessante. Assim, os alunos fariam uma análise de seus conceitos em relação à fotografia e mudariam de meros receptores de conteúdos para indivíduos críticos, fruidores e produtores de imagens. Entenderiam que fazer fotografia não é apenas apertar o disparador: é preciso haver sensibilidade, registrando um momento único, singular. Entenderiam que o fotógrafo recria o mundo externo por meio da realidade estética.

Com o projeto esboçado, um fotógrafo profissional voluntário, Jorge Quintão Jr., foi convidado a dar aulas de fotografia para as crianças, duas vezes por semana, junto com a professora bolsista Aline. O grupo de alunos foi composto por crianças com idades entre 11 e 13 anos e então partiu-se para a execução do Projeto; atualmente são 17 alunos participantes.


(Tirado do site oficial do projeto - www.olharcoletivo.com.br)

Fiz uma matéria pra Rádio UFMG Educativa sobre o projeto, que, diga-se de passagem, vai ser exposto no Café com Letras (Savassi, BH) até 27 de julho.

Confira aqui a matéria, em áudio. E vá ver a exposição. O Café com Letras fica na rua Antônio de Albuquerque, 781, na Savassi (entre Sergipe e Alagoas).