Minas Gerais foi governada por 12 anos pelo PSDB. A figura de Aécio Neves entrou para o governo em 2003, ficando até 2010 - quando se candidatou ao senado e ganhou a sua vaga; nesse mesmo ano, o falecido (porém honrado) Itamar Franco também foi eleito senador por Minas - só que Itamar faleceu e tristemente deixou seu suplente no lugar: Zezé "helipóptero" Perrella. Quando Aécio saiu, Antônio Anastasia (conhecido e reconhecido professor universitário e, segundo dizem, o verdadeiro responsável pelas ações governamentais que Aécio dizia serem dele) assumiu seu posto, perpetuando por mais quatro anos um ciclo de gestão tucana. Anastasia saiu ao senado, deixando Alberto Pinto Coelho (do aliado Partido Progressista - que, de tal, só tem mesmo o nome) no seu lugar nesse fim de mandato. Hoje, Pinto Coelho entregou a "faixa" para Pimentel.
Não posso dizer "minha nossa, que momento histórico esse!", mas eu também não posso dizer que essa posse e transferência de governo foram qualquer coisa. Porque não foram.
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A entrada de Pimentel no Palácio da Liberdade, para a cerimônia de transferência do governo. |
Posse realizada, era a hora da transferência de governo do Alberto para o Fernando - e esse evento foi no Palácio da Liberdade. Sob um sol de rachar, acompanhei (de dentro do Palácio) a cerimônia. Na hora da troca, Pinto Coelho toma a palavra - quando o cerimonialista anunciou seu nome, o que se ouvia do lado de fora dos portões eram as mais sonoras vaias. Meio que ressentido, o ex-governador bradou, como suas primeiras palavras, "Viva a Democracia!". Bravo, Alberto. Bravo. Um tanto corajosa essa sua atitude de saudar a democracia. Mas, engraçado, seu predecessores não foram tão democráticos assim, não é? Não me alongarei nisso porque não é essa a proposta.
Tanto no discurso de posse quanto no de transferência, Pimentel reforçou que quer governar fora dos gabinetes e trazer o povão para dentro do governo. Dentro dos jardins do Palácio da Liberdade, eu vi várias pessoas. Poucos conhecidos, é claro, visto que não transito pela política partidária tão forte assim. (Impressionante: mesmo num partido que se diz de origem popular a elite branca e masculina domina...) Eu vi alguns rostos conhecidos e, ao cumprimentá-los, percebi que estão todos com a mesma expectativa que eu: de que esse governo novo possa ser uma boa aposta. Se Pimentel cumprir essa promessa de fazer uma abertura política e participativa do governo, do jeito que nós - população - desejarmos, será meio caminho andado. Se for possível que a participação popular - alijada pelos tucanos - seja o carro-chefe, pode não ser que Minas Gerais se torne um estado ímpar, mas pelo menos diferente do que está com certeza ficará.
(Não, gente, eu não tenho ilusões de que vai ser polianisticamente lindo o governo, mas é preciso haver demonstrações claras de vontade política para o início de uma abertura, de uma transformação. Não se muda nada da noite para o dia, o processo é lento, mas estamos apostando nesse processo; como sociedade civil, eu e as outras pessoas que no Palácio da Liberdade estivemos não estamos cegos com uma crença de que Pimentel vai transformar água em vinho. Tomara que, minimamente, a água não caia em volume morto.)
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O governador eleito. O colar da inconfidência, na simbologia da transferência, significa que - agora sim - ele é governador de fato. |
Vou copiar aqui a fala do meu irmão Luciano Jorge, professor da rede estadual. Com ela, eu concluo meu raciocínio e convoco todo mundo que tiver a fim para somar (e petralhar).
Acho importante qualquer leitura crítica de QUALQUER movimento. Não sou iludido de querer um "We Are The World". Mas, assim, já não sou nenhum menino de achar que tá de boa sair no tapa com todo mundo por qualquer coisa. Eu às vezes prefiro o silêncio do que a tagarelice.
Acho que às vezes, só às vezes, falta um pouquinho de tranquilidade pra refletir e conversar (ou as duas coisas juntas...) sobre as contradições que estão colocadas. Eu ainda prefiro o encontro com a parte que tá a fim de dialogar (sem carteirada, minimamente consciente de seu lugar na sociedade e tudo mais) do que ficar eternamente no meu monólogo chato, desmobilizador, que não caminha.
E mais: nesses momentos eu ando com muita preguiça dessa esquerda ortodoxa e penso que essa é pior do que certos "religiosos" (se bem que eles pensam na revolução como quem pensa na terra prometida... Eu penso que isso é um problema). Essa ortodoxia desmerece o que pret@s, mulheres, trans e outros tantos grupos andam construindo.
No mais, notei nesse ano [de 2014] que posso aprender com pessoas completamente diferentes, de origens diferentes, que não precisam gritar aos quatro ventos o que fazem. Elas apenas fazem o que deve ser feito. E eu acho isso valoroso pra caramba.
Só espero que em 2015 sejamos menos sectários, mais reflexivos, encarando nossas contradições, colocando-as na mesa, assumindo nossos erros e reconhecendo a postura do outro. E, obviamente, sem perder de vista contra quem lutamos. Espero maior espaço pra reflexão, menos pontos finais e mais pontos de interrogação.
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