Sou quem toca, sou quem dança, quem na orquestra desafina. O par e o parceiro das verdades à desconfiança.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
E a MUDA se calou
Polícia fecha rádio pirata que interferia no aeroporto de Cumbica
Uma operação da Polícia Civil de São Paulo tirou do ar nesta quinta-feira (19) uma rádio pirata que interferia no trabalho dos controladores de vôo do aeroporto de Guarulhos, o mais movimentado do país.
Também foi fechada nesta quinta-feira uma rádio que funcionava dentro da Unicamp. A universidade não quis comentar o fato. A Anatel informou que a fiscalização das rádios piratas é constante. O telefone para denunciar é 133.
O que me chama a atenção nessa nota é o que eu fiquei sabendo a posteriori: que a rádio funcionava há bastante tempo no campus da Unicamp, com a ciência do Reitor de lá.
Ultimamente tem acontecido uma devassa para fechar rádios "piratas". A principal alegação é a interferência na comunicação entre torres de comunicação e aviões. OK, me expliquem então:
por que existe tal interferência, sabendo-se que as rádios "piratas" operam em FM, assim como as comerciais (e as frequências utilizadas variam de cidade para cidade)?
Da série Perguntas que ninguém quer responder por todos já saberem a resposta.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Um outro jornalismo é possível
por Luis Weis, do Observatório da Imprensa
Pois é. A economia mundial vive a maior crise desde a segunda guerra, ou desde a grande depressão – ou desde sempre. E a imprensa cobriu com os mesmos cacoetes dos tempos de vacas gordas o encontro, em Belém, das organizações que os fatos dos últimos meses tornaram as únicas credenciadas a dizer: “Bem que nós avisamos!”
O Fórum Econômico de Davos continua a merecer o respeito da mídia, embora reúna os profetas falidos das virtudes da desregulamentação financeira, os culpados pela esbórnia homérica que hoje custa o emprego de milhões de pessoas e os luminares que agora não ousam prever, no que enfim estão certos, quanto vai durar e no que vai dar a desgraceira que desceu sobre o mundo.
Já o Fórum Social continua a ser tratado folcloricamente como “convescote”, “happening”, um ajuntamento de “tribos” prontas a criticar, mas incapazes de oferecer “qualquer sugestão” para o mundo tirar o pé da lama.
De um enviado especial a Belém: “Não é fácil entender o encontro […] Não se consegue extrair do fórum nenhum documento que aponte um caminho a seguir contra a crise.”
Sim, eles são muitos, diversos, com agendas para todos os gostos, nenhum consenso sobre a vida e a suas implicações que dê para resumir numa manchete, ou nenhum consenso, ponto – e, sim, eles dão palco e platéia para esse retrocesso chamado Hugo Chávez. Mas reduzir a isso a informação sobre o evento é de uma miopia que só o preconceito explica.
Ou melhor, os preconceitos, no plural. Um deles é o de abordar o novo a partir de um modelo velho – o da cobertura de congressos tradicionais, em que se fala, se disputa, se negocia, se formam facções, até a hora quando, pelo voto ou por aclamação, se tira a resolução final, se dão os trâmites por findos e os repórteres fecham as suas matérias e partem para outra.
Mas a pauta do Fórum Social para a qual a mídia não está nem aí é a do seu próprio movimento centrífugo, a mobilização e a discussão de ideias (seja qual for o seu mérito presumível) como obras abertas. O outro mundo de que os seus participantes falam pode ser, ou não, possível. Mas uma outra forma de fazer política já está em curso – nas barbas de uma imprensa pavlovianamente condicionada a esperar o que dali não sairá, por ter sido descartado, para o bem ou para o mal. Um outro jornalismo também deve ser possível.
Nessas novas articulações, até a presença de presidentes como os que estiveram em Belém pode não ser exatamente o que parece.
Por isso é que o jornalista, decerto uma raridade, interessado nos desdobramentos do Fórum, devia ler o artigo “Sem atalhos”, da ex-ministra Marina Silva, na Folha da segunda-feira, 2. Não é para concordar. É só para entender.
Entender, em primeiro lugar, a relação entre os “sociais” e a política organizada. “Provavelmente precisaremos nos livrar do peso da tradicional visão que vê os líderes como portavozes do destino”, escreve Marina. “Por mais que figuras carismáticas importem em processos de mudança, não dá mais para substituir – e nem é desejável fazê-lo – o papel de cada ser humano, sob pena da mesmice política, da terceirização de sonhos e de transformar cidadãos em meros seguidores.”
Entender, em consequência, o que pode haver de original, criativo – notícia, portanto – no modo como o Fórum pretende motivar, arregimentar e agir. Da ex-ministra:
”Numa sociedade movida a informação, formação de redes e espaços antes impensáveis de militância, a perspectiva do século 21 em plena crise, só pode ser a da interação real, de escuta, de convergência de múltiplas competências e percepções. E de novas referências para a busca de soluções menos verticalizadas e estanques […].”
Quando, guardadas as proporções e as diferenças, a infantaria do candidato Barack Obama foi por aí, a mídia se encheu de ohs! e ahs! Quando o Fórum entende que esse é o caminho, os jornais nem sequer se dão ao trabalho de checar se está andando como acha que deve.
Talvez ainda não, a julgar pelo conselho que lhe dá o decano da sociologia francesa, Alain Touraine, entrevistado por Laura Greenhalgh e Ivan Marsiglia para o caderno dominical Aliás, do Estado – o melhor produto singular da imprensa diária brasileira.
“Ajeitem seus canais de expressão se quiserem ter influência política”, é a mensagem de Touraine. Para o sociólogo, “os temas introduzidos pelos ‘altermundialistas’ no Fórum Social são, de fato, essenciais na tomada de consciência sobre os riscos que o mundo corre” – o que nenhum repórter, comentarista ou redator de editoriais desdenhosos sobre o acontecimento teve a lisura de pelo admitir que possa ser verdadeiro.
“Mas essa gente”, ressalva Touraine, “tem grande dificuldade de organizar suas ações, por uma razão elementar: o adversário contra o qual lutam são as grandes empresas multinacionais, que estão fora de seu alcance.”
Na Folha, outro sociólogo, o brasileiro Michael Löwy, radicado há 40 anos na França, também defende os altermundistas. Para ele, “está muito clara a vitalidade extraordinária do processo do Fórum, sua capacidade de se reinventar e avançar em idéias e propostas. Quem está em crise agora é o outro fórum, o de Davos.”
Já se disse, quem sabe injustamente, que entrevista é jornalismo preguiçoso. Mas a dura sentença se aplica ao caso. Isso (e muito mais) que os sociólogos dizem – “essa gente tem grande dificuldade de organizar suas ações”; “está muito clara a sua capacidade de se reinventar” – tinha de ser levado ao leitor no formato jornalístico por excelência: a reportagem.
Só depois de garimpar os fatos e sentir o clima em Belém é que a imprensa poderia dizer com um mínimo de objetividade se “não é fácil” mesmo “entender o encontro”.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
"Nobody says it was easy..."
O Instituto Mário Penna é de Belo Horizonte, e tem tradição nessa batalha. Mas, velho, se depois de assistir esses comerciais você não se sentir tocado, é melhor fechar a tampa do caixão: você não tem mais volta.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Fim de carreira
O delegado Rafael Willis, da 16ª Delegacia de Polícia (Barra), confirmou que a morte do ex-policial militar Marcelo da Silva, ex-marido da atriz Susana Vieira, foi causada por overdose de cocaína. Ele disse que o exame toxicológico no corpo vai poder mostrar se houve mistura com alguma outra substância.
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Apenas um comentário: te cuida, Fábio Assunção... E um certo sinhôzinho também.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Beijo Zero? Jurisprudência neles!
Se a moda pega, o tanto de zerôla que vai passar a processar o Estado... Isso sem contar os retroativos, né?
Sexta, 30 de Novembro de 2007 - 18h15
Estudante processa prefeitura por não ter beijado ninguém em micareta
Revoltado por não ter conseguido beijar ninguém em um carnaval fora de época promovido pela Prefeitura de Guararapes do Norte (230 km de Rio Branco - Acre) no último mês de maio, o estudante universitário J. C. A. ajuizou uma ação judicial bastante inusitada. Ele foi à Justiça pedir indenização porque "zerou" na micareta.
JCA pediu indenização por danos morais, alegando que "após quase dez horas de curtição e bebedeira não havia conquistado a atenção de sequer uma das muitas jovens que corriam atrás de um trio elétrico". Ainda segundo o autor, que diagnosticou na falta de organização da Prefeitura a causa de sua queixa, todos os seus amigos saíram da festa com histórias para contar.
Em sua contestação, a Prefeitura de Guararapes do Norte ponderou tratar-se de "demanda inédita, sem qualquer presunção legal possível", porque não caberia a ela qualquer responsabilidade no sentido de "aliciar membros da festividade para a prática de atos lascivos, tanto mais por se tratar de comemoração de caráter familiar, na qual, se houve casos de envolvimento sexual entre os integrantes, estes ocorreram nas penumbras das ladeiras e nas encostas de casarões abandonados, quando não dentro dos mesmos, mas sempre às escondidas".
Apesar da aparente inconsistência da demanda judicial, por seus próprios méritos a ação ainda ganhou força antes de virar objeto de chacota dos moradores da cidade, em virtude do teor da réplica apresentada pelo autor, que contou com um parecer desenvolvido pelo doutrinador local Juvêncio de Farias, asseverando que "sendo objetiva a responsabilidade do Estado, mesmo que este não pudesse interferir na lascívia dos que festejavam, o estudante jamais poderia ter saído tão amuado de um evento público".
Ao autor da demanda, no entanto, como resultado de uma "aventura jurídica" que já entrou para o folclore do município, não restaram apenas consequências nocivas. Afinal, em que pese a sentença que deu cabo ao processo ter julgado a demanda totalmente improcedente, o estudante se saiu vitorioso após ter arranjado como namorada uma funcionária do setor de aconselhamento psicológico do município, que passou a freqüentar por indicação do próprio magistrado responsável pelo encaminhamento do caso.
Segundo a própria Municipalidade, tal acontecimento afetivo ocorreu sem nenhuma participação do Estado.
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Peraê... A micareta foi no Acre???
domingo, 23 de novembro de 2008
I'll be back!
Abre a comanda aê, chefia!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Jogo da Eleição
Com o propósito de ajudar o eleitor na escolha de seu candidato a prefeito de Belo Horizonte, o Portal Uai desenvolveu um jogo para comparar a opinião dos internautas sobre temas importantes para a cidade com a dos nove candidatos na disputa. Cada um deles teve que responder a um questionário de nove perguntas relativas a desafios enfrentados pela capital mineira e justificar suas respostas.
À medida em que o usuário responde às mesmas questões, o gráfico se altera. Aqueles candidatos que tiverem uma visão mais próxima à do jogador vão se destacando. Em cada uma das perguntas, pode-se verificar a posição de cada concorrente sobre o tema, posicionando o cursor no botão localizado abaixo da foto do candidato.
Ao final, no menu à direita, você tem a opção de aumentar o peso dos temas que considera mais relevantes para o destino da cidade. Dentre os temas, estão: finanças, política, saúde, educação, trânsito e transporte, cidade.
Clique na imagem ou aqui para jogar.Para mim, deu a Vanessa Portugal. CREDO!
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Hit the road, Jack!
E não estou nem aqui.

Divulgando projeto paralelo: http://pedreiranavidraca.blogspot.com
Até mais, cambada!
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Sociologia Política para crianças
- Claro, meu filho, qual é a pergunta?
- O que é política, pai?
- Bem, política envolve: Povo; Governo; Poder econômico; Classe trabalhadora; Futuro do país.
- Não entendi. Dá para explicar?
-Bem, vou usar a nossa casa como exemplo: Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico. Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é o governo. Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. Seu irmãozinho é o futuro do país e a Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora. Entendeu, filho?
- Mais ou menos, pai. Vou pensar.
Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho, o menino, foi ver o que havia de errado. Descobriu que o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na cama com ela. Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu.
Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
-Pai, agora acho que entendi o que é política.
- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
- Bom, pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!
(Texto de domínio público na internet.)
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Lançamento impublicável
Comandada editorialmente por Cind Mendes Canuto e Robert da Silva, é uma revista um tanto quanto... Diferente. A estética é rota, o papel é duro, as páginas são disformes... Tudo de um jeito que não dá para ser publicado. Daí... Impublicáveis - dããã!

O lan;amento oficial é dia 8 de julho, terça-feira, às 18h30, nos jardins internos do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537 Centro - Belo Horizonte).
Dado o recado? Digo UAI e vou-me embora!
Infidelidade partidária
UPDATE: Acertaram o partido, mas "candidato" ainda tá grafado errado!
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Acordo de comadres (parte 2)
Eita que esse mundo dá voltas...Em fevereiro eu comentei sobre a tal aliança entre PT e PSDB para a prefeitura da capital BH (clique para ler). Pois bem, desde o começo não fui lá muito a favor - até porque os partidos, a vida toda, foram antagônicos; o PT nasceu de baixo, das bases do operariado paulista do ABC; o PSDB nasceu de uma... digamos... "conjuntura política"de 1988 - ele fez o movimento inverso ao do PT, nascendo de cima.
Desde o começo do ano, tá esse bafafá para uma possível aliança entre os dois partidos para prefeitura de BH. Como todos sabem, o PT é contra a aliança com os tucanos (clique aqui). Mas, como em Minas há sempre um jeitinho, uma conversinha, um acórdão, o PSDB apoiará "informalmente" o PT, que se aliou ao PSB e lançou Márcio de Lacerda à candidatura de prefeito.
Você se pergunta "E quem é esse cara?". Foi o que me perguntei quando li o Hoje em Dia há uns três meses. E agora, como o Lacerda é desconhecido (o Márcio; não me venham ressucitar o Carlos, pelo amor de Deus!), vejam a nota:
BH/Data Tempo: Jô Moraes lidera pesquisa com 20,03%

O percentual de Jô Moraes é menor apenas que o de pessoas indecisas ou que não souberam ou não quiseram responder, que é de 22,5%. Os eleitores que disseram não votar em nenhum dos candidatos apresentados pela pesquisa somam 16,64%. O candidato do PMDB, deputado federal Leonardo Quintão, aparece com 11,83% da preferência dos entrevistados.
Apesar de ter votado a favor da CSS (link aqui), Jô Moraes é, de longe, muito mais falada que esse-tal-de-Lacerda. Não que ela seja aparecida, ela só está há mais tempo no vidro, na tela política. Esse povo tem que aprender que política não é só Q.I. (Quem-Indica)...
Aqui em Belo Horizonte, o prefeito tem a hegemonia. Mas o PT sempre aprendeu que as minorias não podem ser esmagadas, desrespeitadas nos seus legítimos direitos de militância. Então, o que nós esperamos é um gesto de grandeza do prefeito Fernando Pimentel no sentido de garantir, em primeiro lugar, a unidade do PT em BH. Esta é a responsabilidade dele, porque ele tem a maioria, e foi ele que construiu este processo de uma candidatura fora do PT. E esperamos também que, a partir da unidade do PT, possamos retomar a discussão na perspectiva da unidade da esquerda, das forças progressistas e do campo democrático-popular.
(Patrus Ananias, Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Governo Lula. Fonte: Blog da Clarice.)
É, Patrus, agora é tarde... Decepcionante, Pimentel. Agora que Jô vai, é Jô neles!
terça-feira, 1 de julho de 2008
Falando sobre televisão
Eis meu último trabalho do semestre. Uma matéria sobre a televisão e a possibilidade de interatividade com a programação. Apoio: Labmidia / UFMG.
Vem ni mim, férias!
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Disputa de poder
Uma coisa me chamou a atenção ontem. Acontece que, no programa Domingo Espetacular (Record) do dia 22 de junho - salvo engano - a tevê do Edir Macedo realizou uma reportagem sobre a fraude dos ingressos distribuídos pela BWA e Ingresso Fácil. (Nota de hoje aqui.) Não vi a Globo tratando disso semana passada, mas ontem, uma semana depois da reportagem da Record, é que o Fantástico soltou uma reportagem sobre o assunto.E um detalhe capcioso: a BWA soltou uma nota dizendo: "As empresas BWA e INGRESSO FÁCIL, tomando conhecimento da reportagem exibida pelo FANTÁSTICO e repercutida em outros veículos de imprensa, (...)". Mas esperaê, quem deu a notícia primeiro foi a Record, como é que o povo fala em "reportagem exibida pelo FANTÁSTICO e repercutida em outros veículos"? Eu, hein, até parece...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
I have a dream...
O discurso - em português - segue abaixo. Ou então, clique aqui. Mas, antes, confira a beleza estética desse discurso. E a beleza oratória do protestante negro Luther King.
Parte 1
Parte 2
EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física.
Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino.
Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar.
Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial.
Vocês são os veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."