Deste terça-feira, dia 17 de abril, a UFMG tem sido palco de diversos protestos quanto à reforma do bandejão - que foi mal feita pela fundação que a gerencia, a Fundação Universitária Mendes Pimentel (FUMP) - e quanto ao preço do restaurante (atualmente, 2,50 - caro em relação às outras universidades, barato em se tratando de Belo Horizonte).
Na terça-feira. O Coletivo Ousadia (Diretórios Acadêmicos que estão em oposição ao Diretório Central dos Estudantes - DCE) começa a invasão e a tomada do Bandejão. A proposta de dar o pulão (pular as catracas e não pagar), segundo o Coletivo, visava a ocupação de um espaço público.
Quarta-feira. As invasões continuam. Mais pessoas ficam sabendo do pulão e aderem ao movimento pura e simplesmente porque vão comer de graça. E assim vai. E a Reitoria entra na justiça.
Quinta, idem. A Reitoria solta uma nota: se não parar o pulão, bandejão fecha. E detalhe: a Heloísa Starling, vice-reitora, quis uma comissão para conversar com ela. O Coletivo (que possui representantes do PSTU e do Partido Comunista Revolucionário - PCR) diz que não. Havia 50 pessoas na tarde de quinta na porta da reitoria. O Coletivo disse: se não subirem as 50, não sobe ninguém. Resultado:
Sexta-feira. O pulão continua. E o que acontece? O Bandejão é fechado depois do almoço. E fica assim até hoje, segunda-feira. (Leia aqui: Setorial II [Bandejão] e Ocre estão fechados.)
Eu não sei ainda se o bandejão vai abrir nesta terça, sinceramente. Se alguém souber, me comunique. E tem mais: vamos acompanhando essa situação de perto, sem deixar que nem DCE nem Ousadia a carreguem nas costas. E boa noite.
Esses são os fatos de hoje:
São 23h agora, mas escrevo os fatos que ocorreram de 17h10 às 18h.
Em comum acordo, DCE (que deu a cara a tapa dessa vez, ouviu xingamento calado e o escambau a quatro) e o Coletivo Ousadia (não lá muito santo, mas...) decidiram o seguinte: enviar uma proposta de trégua para a Heloísa, pedindo que haja a abertura do Bandejão. Os alunos decidiram que pedirão à reitoria que uma comissão por esta ordenada veja se realmente é ou não possível a redução de preço do RU. Detalhe: os alunos já têm esses cálculos em mãos.
Esse prazo é o mesmo da trégua: até quarta-feira, 15h. Se até essa data isso não acontecer, os protestos voltarão. Para uma conversa inicial, os estudantes propõem que se diminua o preço do Bandejão de 2,50 para 1,50 e, no caso dos carentes, de 0,75 para 0,50.
17h10: A reunão acabou, e neste momento os alunos da comissão mostram a proposta da Heloísa: a UFMG reabre o bandejão e retira a ação contra os DAs que promoveram o pulão se os DAs assinarem um termo de compromisso com a reitoria. Eis a discórdia: enquanto uns apóiam a decisão, que pode ser o início para uma conversa que se relaciona a outros assuntos, outros afirmam que estão desconfiados da reitoria cumprir o acordo. Enfim, amanhã tem assembléia na porta do Bandejão para divulgar o que foi decidido. A princípio, às 11h.
São 16h10. A reunião da comissão continua. Ainda há por volta de 50 estudantes na porta da reitoria, esperando a saída dos estudantes. A pauta de reivindicação está em dicussão com o reitor. Eles fizeram uma fogueira (será que é pra esquentar a fria recepção que houve no prédio?)
São 15h10. a movimentação diminuiu consideravelmente. Não há mais indícios de chuva para agora. Há 50 estudantes lá embaixo, sendo que 17, representando os DAs envolvidos e o DCE estão em audiência com o reitor Ronaldo Pena e a vice-reitora Heloísa Starling. Essa audiência acontece no gabinete do reitor. Na pauta de reivindicações estão:
1. reabertura imediata do bandejão;
2. redução do preço;
3. ampliação dos salões (como outrora prometido pela FUMP);
4. retirada da multa aos DAs envolvidos de R$ 8 mil [desculpas, eu havia dito 11 mil] por causa do "pulão".
São 14h10: Os manifestantes gritam algo parecido como "Heloísa, me dá seu caviar!". É discutida a proposta de se montar uma comissão para conversar com o reitor. Um dos manifestantes grita: comissão é o c#a7r&al*h%o! (Daí se vê que diálogo o povo defende.) Heloísa aparece na janela. Os estudantes gritam: Desce, Heloísa! Desce, Heloísa! E quem disse que a Heloísa vai descer?
São 13h10. O clima é bem tenso. Há por volta de 150 pessoas (não sei ao certo) na porta da reitoria. A segurança universitária foi mobilizada para resguardar o saguão e não deixar nenhum manifestante entrar. Aos berros, os estudantes reclamam de fome.
Quinze pra uma. Os manifestantes chegam à reitoria. Um carro de som dá a tônica do movimento. O de sempre.
Meio-dia e meia. O DCE promove uma assembléia de "conciliação" da situação. Detalhe: simultaneamente, em um lugar totalmente diferente, o Coletivo Ousadia promove UMA MESMA ASSEMBLÉIA para discutir OS MESMOS PROBLEMAS! (Desunião pouca é bobagem. Nessa hora, eu dei o berro: se for pra gente deixar pra mão de DCE, Coletivo e o escambau, a gente vai viver ao Deus dará.)
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Mais do que reclamação, mais do que engajamento estudantil, isso é disputa política.
Mais detalhes, pouco a pouco. Isso ainda vai dar caractere para este post. E outros.